Bolsonaro sem Trump


Nunca as eleições americanas foram tão ligadas às nossas. Se Trump não se reeleger, qual será a repercussão para Bolsonaro? Que Trump é fonte de inspiração ao presidente brasileiro não é novidade para ninguém, a começar pela ilusória amizade que alardeia. E sobretudo pelo uso dos mesmos métodos escuso da extrema direita para ascender ao poder. Para a derrocada do presidente americano, soa como luz ao final do túnel não apenas o radioso discurso de Biden. Em termos do sórdido comportamento do líder americano, porém, são um bálsamo as definições do irmão feitas pela juíza aposentada Maryanne Trump Barry: "mentiroso", um homem "cruel", sem princípios.

Disso, ninguém duvidava. Outra coisa é a fato dessas classificações saírem da boca da própria irmã de Trump, sem que ela soubesse que a sobrinha, Mary L. Trump, havia feito secretamente mais de 15 horas de gravações  das conversas entre os tios, obtidas com exclusividade pelo Washington Post. As fortes críticas ao irmão de 74 anos feitas por Maryanne, 81, estão lá: "Seus malditos tuítes e as mentiras, ai meu Deus...(...) "Você sabe que ele distorce os fatos. A falta de preparação. A mentira."

Ninguém, contudo, é santo nessa trama familiar. A sobrinha autora das gravações assina o recém lançado livro "Demais e nunca o bastante: como minha família criou o homem mais perigoso do mundo", onde Mary tenta mostrar como os impérios imobiliários ajudaram seu tio a desenvolver o que chamou de "praticar a trapaça como um modo de vida". Tudo bem, são denúncias que vêm a calhar, embora não deixem de ser um exemplo dos métodos familiares, seja para o bem ou para o mal. As gravações também revelam que Maryanne é a fonte de uma das mais explosivas denúncias contra Trump, a de que ele teria entrado na Universidade da Pensilvânia graças ao terceiro a quem pediu que fizesse o vestibular por ele.

 A queda de Trump pode até não redundar, instantaneamente, na queda de Bolsonaro. O presidente brasileiro, contudo, vai tremer nas bases. Espera-se que seja um ponta pé ao desmoronamento desse governo podre, miliciano, agora sustentado pelo (necessário) auxílio emergencial e pelo Centrão. E claro, pelos militares. A grande diferença entre EUA e Brasil é que lá eles têm um Binden. E nós?       

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