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Cortinas de fumaça ao Caso Epstein

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  Invasão da Venezuela, sequestro do ditador Maduro, ameaças de invasão à Groenlândia, tarifaços. (Curiosamente, não houve uma palavra sequer sobre o recente acordo ratificado entre o Mercosul e a União Europeia). Existe um motivo maior para que o show - dominante das manchetes internacionais - de Donald Trump não possa parar. O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) divulgou recentemente novos documentos sobre o Caso Epstein, o que ajuda a explicar a resistência por Trump à pressão do Congresso para tornar esse material público: o s arquivos liberados contêm centenas de menções ao presidente, além de registros que contradizem informações anteriores. Trump sempre negou qualquer proximidade relevante com Epstein e afirmou que nunca tinha viajado no jato do financista (foto), conhecido como Lolita Express, e que as acusações seriam invenções de adversários políticos. Os novos documentos indicam o que promotores federais já tinham concluído em 2020, que Trump voou no avião mais ...

Efeito colateral de Trump

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  Após o caos que Donald Trump tem provocado no planeta, eis que surge um inusitado efeito colateral de suas sandices: após 25 anos de negociações, os países da União Europeia (UE) confirmaram na última sexta-feira a aprovação do acordo comercial com o Mercosul. O resultado será o surgimento da maior zona de livre comércio do mundo. Claro que isso tem a ver com a asfixia provocada pelo líder republicano com sua política generalizada de tarifaços. Com o aval do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo amanhã. O tratado ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor ,  porém, deve ser assinado em 17 de janeiro. A decisão, que contraria países como a França e a Irlanda, foi apoiada por setores empresariais. A reação da França deve-se aos possíveis efeitos negativos sobretudo a seus agricultores, altamente subsidiados. A agricultura responde por 4,5% do PIB francês, cerca de 72 bilhõe...

Fedor exalado pelo Banco Master

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  A atual etapa do Banco Master se resume em três núcleos, em diferentes frentes: impedir que Daniel Vorcaro faça delação; minimizar seu prejuízo e impedir que surjam novos Master e Vorcaros. Claro que a primeira é mobilizada pelos envolvidos no crime que tentam se esconder. Voltamos ao tempo. O assunto começou a esquentar quando o colunista Lauro Jardim revelou a existência de um contrato do Master com a mulher de Alexandre de Moraes, seguido pela colunista Malu Gaspar (ambos do Globo ), que tornou público o conteúdo do tal contrato. Entra então em cena o ministro Dias Toffoli, que após viajar para Lima para ver seu time de futebol no jatinho de um empresário, com o advogado criminalista Augusto Arruda Botelho, que defende o Banco Master. Na volta, o magistrado toma o caso Master para o STF e declara sigilo. Para completar, marca uma acareação entre Ailton de Aquino, diretor do BC e os investigados Vorcaro e Paulo Henrique Costa, presidente do BRB (Banco de Brasília), no cap...

Um veto na corda bamba

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  Conforme o previsto, Lula vetou ontem o PL da Dosimetria, o jeitinho do Congresso para anistiar os envolvidos na tentativa de golpe contra a democracia. O senador Espiridião Amin (PP-SC), relator do PL vetado pelo presidente, porém, radicalizou:: protocolou o PL da Anistia total, “para pacificar o país”. O argumento é estarrecedor. Como assim, pacificar o país? Os condenados – sobretudo os mandantes, como Bolsonaro e seus generais de estimação – foram submetidos a um longo julgamento  pelo STF  com direito de defesa, e condenados. A dosimetria, de Paulinho da Farsa, propõe juntar os crimes de  tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado em um só. E assim, num passe de mágica, as penas dos réus seriam drasticamente reduzidas. Além do núcleo crucial, restam 179 detidos, entre prisões domiciliares, dos quase 1.400 presos após o 8 de janeiro de 2023. (A diferença dos EUA, onde morreram cinco pessoas no 6 de janeiro de 2022, é que Trump libe...

O show não pode parar

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  Foi mal. Após o sequestro de Maduro e de sua mulher da Venezuela, o Departamento de Justiça dos EUA reconheceu que a acusação de que o presidente do país caribenho liderava o Cartel de los Soles não procedia. Simplesmente era falsa. Não por Maduro ter afirmado inocência ao tribunal. A acusação veio do grande júri, em 2020, e foi redigida pelo tal departamento, por ordem do secretário de Estado, Marco Rubio. Já em julho do ano passado o Departamento do Tesouro dos EUA acrescentava à suposta organização o título de “organização terrorista”. E assim, era preparado o terreno para a violenta remoção do líder caribenho do poder. Só que especialistas em crime e drogas na América Latina traduziram o tal Cartel de los Soles como uma gíria inventada pela mídia venezuelana na década de 1990 para designar autoridades corrompidas pelo dinheiro do tráfico de drogas. Os promotores também acusaram Maduro de participar de uma conspiração de tráfico de drogas, porém, mudaram de ideia ...

Cavando a cova da própria turma

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Quando lancei “Diário da Indignação, cronologia das trevas deste (des) governo" (Rebento), no início de 2020, o pior da era Bolsonaro ainda estava por vir. Em 392 páginas, o livro reúne os melhores momentos do sairdainercia.blogspot.com, iniciado no fim de 2018. No começo de 2019 o blog já tinha virado uma trincheira contra Bolsonaro e a extrema direita. Pensei que a obra logo poderia cair no esquecimento por ser datada, e o produtor editorial de fato avaliou que se o ex-presidente perdesse as eleições nunca mais se falaria dele. Ledo engano. O que importa aos brasileiros saber que ele melhorou dos soluços após se submeter a uma cirurgia? Acertou quem disse: nada. A notícia, porém, está lá, estampada em todos os jornais e mídias sociais. E seus filhos ainda se queixam de que o pai – admirador explícito do coronel Brilhante Ustra – está sendo submetido à tortura. Cujo mais forte componente é o ruído do ar condicionado na unidade da PF onde está detido. Parece piada. Soubemos ta...

Quem será a próxima vítima?

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A trapalhada de Donald Trump na Venezuela reflete o ocaso dos petrodólares. Em 1974, o então secretário de estado, Henry Kissinger, pactuou com a Arábia Saudita: todo o petróleo do mundo seria vendido em dólares, em troca da proteção militar à monarquia saudita pelos EUA. Como o planeta precisa de petróleo e como ele é cotado em dólares, os países são obrigados a manter reservas em dólares para negociá-lo. O que deu aos EUA o privilégio de imprimir a moeda aceita no mundo sem sofrer inflação. E assim, o petrodólar bancou o complexo militar norte-americano, o estado de bem-estar social e os déficits comerciais, enquanto o país repassava ao resto do planeta os custos da criação monetária. O combate ao terrorismo, a guerra às drogas e proteção à democracia não passam de balelas. Em 2003, quando o Iraque anunciou que passaria a vender seu petróleo em euros, por exemplo, o país foi invadido pelos EUA sob a falsa acusação de estocar armas químicas. Saddam Hussein (foto à direita) foi p...