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Apoiadores do clã se atacam

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  Ontem falei aqui do racha entre os candidatos à sucessão presidencial da direita. Pois outro racha acontece, entre duas das principais frentes de apoiadores do clã Bolsonro: a senadora Damares Alves e o pastor Silas Malafaia. Em entrevista ao SBT, Damares ameaçou nomear os pastores envolvidos na fraude do INSS (e olha que o Banco Master sequer foi lembrado...). Ao que Malafaia reagiu: “Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda. Dê o nome de quem são os líderes que pediram para a senhora calar a boca”, fulminou. “Leviana, linguaruda, cínica, mentirosa e indigna de ter o voto dos evangélicos”, completou, irado. E se deu mal. Três dias após a ameaça, Damares dava com a língua nos dentes. (Segundo aliados, ela realmente teria se surpreendido com a atuação dos pastores apontada na CPMI do INSS). Colegas também avaliam que Damares estaria se afastando dos Bolsonaro. E o que estaria por trás da denúncia é seu vínculo pessoal com a ex-primeira-dama, Michel...

Direita na flor da idade

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  Se a direita já estava rachada antes da marcha de Nikolas Ferreira (PL-MG) – criticada até por quem lançou um raio na turba que aguardava a chegada em Brasília -, rachou ainda mais.   Parece até a canção “Flor da Idade”, de Chico Buarque: Carlos que amava Dora que amava Lia que amava Léa...Dora que amava toda a quadrilha... Carluxo enxertou um “volta Bolsonaro” no vídeo que circulou nas redes durante o fim de semana, onde os participantes entoavam, na verdade, “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” ao passar por Luiziana, perto de Brasília. Claro que Chupetinha não gostou da ‘invasão de território’. Para os participantes, a adulteração do áudio visava distorcer o objetivo da marcha. Mas afinal, as duas versões não tinham o mesmo objetivo? Quem estaria invadindo quem? Porque, enquanto atribuía a caminhada a um brado pela liberdade de Bolsonaro, como quem não quer nada, Nikolas ensaiava assumir o lugar de grande líder da direita. Tanto que ele virou “capi...

Gestapo mascarada é moeda de troca

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Como tem repetido o jornalista José Inácio Werneck, há 30 anos radicado nos EUA, no “Yes nós temos bananas” (exibido no  Youtube  às sextas-feiras, 17h), Donald Trump já não faz uso de suas faculdades mentais. A última do autocrata foi responsabilizar o prefeito e o governador de Minneapolis pela morte de dois cidadãos norte-americanos, causada pela ação de agentes da Agência de Imigração e Alfândega (ICE). Esta, já pode ser considerada pior que a Gestapo de Hitler, porque age mascarada (foto). E pratica a barbaridade que bem entender, como a prisão, em 20 de janeiro, de um menino de 5 anos, filho de imigrantes, também na mesma Minneapolis. Trump chamou governadores e prefeitos democratas para cooperarem com sua administração. O que significa, “entregar todos os criminosos estrangeiros ilegais que estão em suas prisões às autoridades federais para deportação imediata”. E fazer vista grossa à ação criminosa da ICE. Segundo Trump, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o...

A vontade divina

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  “Deus tem algo muito grande para a nossa nação através da vida”, orou Michelle Bolsonaro ontem pela manhã, antes da chegada a Brasília da marcha convocada por Nikolas Ferreira (PL-MG) pela liberdade do   ex-presidente.  Como se sabe, 30 das 72 pessoas que passaram por atendimentos ontem foram hospitalizadas após serem recebidas pelo raio que deixou oito delas em estado grave. Se a marcha fosse convocada por seguidores de Lula - caso tivesse sido ele o preso por tentativa de golpe -,  os bolsonaristas ligariam  ao demônio  a caminhada de 240 km, de Minas Gerais ao Distrito Federal.  E parece que a reza de Michelle acabou fazendo o efeito contrário... As vítimas do raio que o parta aguardavam o desfecho da marcha que, além de pedir a liberdade de Bolsonaro, tentavam ainda o cancelamento do veto de Lula à dosimetria.  Embora a ex-primeira-dama tivesse apoiado o ato, não compareceu ao mesmo, assim como o filho 01, Flávio Bolsonaro. Carluxo ent...

Bolsonaristas voltam a apelar

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  Essa semana, a PRF chegou a ser acionada para conter a marcha de bolsonaristas iniciada em Paracatu, em Minas. Eles não se manifestavam contra a jornada 6X1, contra a taxação dos bilionários, bancos, fintechs e bets . O movimento pede a liberdade de Bolsonaro. Não têm mais o que fazer... Segundo o Alfredo Ribeiro (Tutti Vasques), era a frente fria, porque não parava de chover desde o início. E voltaram a difamar nossa bandeira com a proposta obscena. Na sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes proibiu acampamentos próximos à Papuda e determinou que qualquer participante que se aproximar da Papuda será preso, cortando o mal pela raiz. Os planos deles eram bagunçar o coreto.  Liderados por Nikolas Ferreira (PL-MG), os que se entregaram ao ‘sacrifício’ não gostaram de saber que em meio aos deslocamentos, sob sol e chuva, Chupetinha e outros caras de pau hospedaram-se em hotéis de luxo, entre intensas revoadas de helicópteros. O que já mostra de onde eles vêm... O pedido...

Brizola, eterno como sua obra

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  Fui atropelada pelos fatos e demorei a prestar minha homenagem pelos 104 anos de Leonel Brizola (1922-2004). Tive o privilégio de acompanhá-lo de perto no seu primeiro governo no Rio de Janeiro, como setorista do Jornal do Brasil. Ao invés de ir diariamente ao jornal, meu rumo era o Palácio Guanabara, em Laranjeiras (pertinho de casa). Vivíamos os estertores da ditadura militar, a cada dia mais enfraquecida, sob a nefasta presidência do general João Batista Figueiredo – que preferia cavalos aos seres humanos. O cerceamento às liberdades começava a se esgarçar. Tanto que manifestações na porta do palácio eram quase que diárias. O povo recuperava seu direito de voz, após longo e tenebroso inverno de proibições, perseguições e prisões por qualquer motivo que pudesse cheirar a luta por direitos. As visitas ao governador eram constantes. Ulisses Guimarães era um que volta e meia batia seu ponto (na foto, de Aguinaldo Ramos, com Tarso de Castro). Ao contrário do que passamos nos ...

Países à mesa ou no cardápio?

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  O discurso mais relevante de Davos, no frio suíço, não foi o do bufão Donald Trump, e sim o do primeiro ministro do Canadá, Mark Carney (foto), em texto escrito pessoalmente, algo raro em falas desse porte. “O mundo não vive uma transição, mas uma ruptura. A chamada ordem internacional baseada em regras está se desfazendo “, ele aponta. Instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) perderam força e a integração econômica passou a ser usada como instrumento de coerção, com tarifas, sanções e cadeias de suprimento que passaram a ser usadas como armas políticas. Carney criticou a tentação de acomodação ao confronto e à crença de que a submissão compra segurança. Ao citar o historiador grego Tucídites, do século V (AC), lembrou que em tempos de rivalidade entre grandes potências os fortes fazem o que podem e os fracos sofrem. Para países médios como o Canadá (e o Brasil) aceitar essa lógica significaria desaparecer do jogo. A ...