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Se correr o bicho pega, se ficar, ele come

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  As 48 horas dadas pelo ministro Alexandre de Moraes à defesa do ex-presidente terminam hoje. Ontem falei aqui que tinha caído na esparrela de dar publicidade à familíci a, porém, a decisão do magistrado merece ser devidamente esmiuçada. O prazo refere-se ao pedido de esclarecimento sobre a autorização, ou não, pela defesa do Inelegível para o uso de sua imagem e voz no vídeo de Inteligência Artificial (IA) que oficializou a candidatura presidencial do filho 01 no último sábado, durante a convenção nacional do PL. Se Jair concordasse, poderia voltar a ser acusado de violar as medidas cautelares da prisão domiciliar e ter de voltar ao regime fechado pelo uso eleitoral de uma possível deepfake . Essa técnica de IA permite criar conteúdos falsos pela manipulação de fotos, vídeos e áudios, através da tecnologia de redes neurais generativas. Ou seja,  são criados modelos de impressionante realidade, como foi o Avatar do capitão, projetado no evento para atrair os eleitores. P...

Falem mal mas falem de mim

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  Eu mesma caí na esparrela montada pela familícia . Não se fala em outra coisa nas redes sociais senão na briga do filho 01 com a madrasta que, por sua vez, vaza de propósito conversa com jornalista de um veículo de esquerda. E o circo continua. Só dá eles. Javier Millei, o aprendiz de palhaço que nem palhaço de verdade sabe ser (está mais para bobo da corte), também roubou a cena com os xingamentos a Lula, a Alexandre de Moares e até ao Brasil. Porém, ninguém conseguiu aparecer tanto quanto ele nos últimos dias. Até o apagado Flávio sucumbiu ao estrionismo do argentino, o que não chega a ser uma surpresa. Dito isso, o ministro Kássio Nunes Marques blindou o candidato do PL da inelegibilidade pelo vídeo de IA do pai transmitido durante a convenção do partido no último sábado – mais uma vez, um exercício de ventriloquismo. Alexandre de Moraes, porém, deu 48h para a defesa do ex-presidente esclarecer se ele autorizou o uso de sua imagem, sob pena de voltar ao regime fechado. ...

Teocracia no Brasil, jamais!

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  Michelle Bolsonaro é a Lady Macbeth da franquia Bolsonaro. Ela é a reunião de Lady Macbeth e do Conto da Aia.   É uma ameaça à democracia maior do que o projeto autoritário bolsonarista, do que a ditadura militar que durou 21 anos. Na tragédia  de Shakespeare, o n obre escocês Macbeth precisa assassinar seu primo, o rei Duncan, a quem ele havia sido fiel,  para chegar ao poder . Macbeth atrai o rei para seu castelo para assassiná-lo enquanto ele dorme e assumir o poder. Hesita, porém, pensando no quanto o rei havia sido bom e o agraciado. "Não o farei mais", resolve. Lady Macbeth então diz: “Por que   me escreveste aquela longa carta detalhando o plano e o projeto?   Seja homem, vá adiante!” Macbeth mata Duncan e torna-se rei. Já segundo o ex-faz tudo Mauro Cid, diante do memorando do golpe, peça chave da acusação, Bolsonaro parece recuar e hesitar. Diz Cid: “Quem mais instigou Bolsonaro para levar adiante o golpe foi Lady Macbeth, Michelle Bolson...

Uma convenção patética

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  Teve de tudo na Convenção do PL para oficializar a candidatura de Flávio à presidência. Como se não bastassem todas as crises que antecederam o evento – a mais grave delas, a relação promíscua do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro –, um aliado meteu os pés pelas mãos e a exibição de um vídeo gerado por IA pode até impugnar a candidatura. O aliado é o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Impossibilitado de comparecer ao evento no Pacaembu (SP), ele enviou um vídeo projetado no encontro. O mais ativo garoto propaganda do partido, tão zeloso do que diz, não poderia ter sido mais infeliz em sua fala: “ A eleição de Flávio representa fazer justiça com aqueles que estão presos injustamente, como os presos do dia 8 de janeiro, como nosso único líder Jair Bolsonaro que está preso,  não por corrupção, não por rachadinha , não por nada além de uma perseguição que ele está sofrendo”. Quer dizer então que a prática de rachadinhas, useira e vezeira do clã Bolsonaro, não foi...

Tiro de Trump sai pela culatra

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  O acirramento das tarifas contra o Brasil foi o primeiro passo do governo Trump para desestabilizar a gestão de Lula e prejudicar sua reeleição. Pois o segundo entrou em andamento: o envio ao Brasil de altos funcionários para desacreditar as urnas eletrônicas, algo já iniciado por Flávio Bolsonaro em recente reunião com embaixadores em Brasília. O Washington Post revelou que a tal delegação seria integrada por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Samson já viajou por diversos países para promover o conservadorismo. E u ma das autoridades ouvidas pelo Post classificou a iniciativa como um "estratagema completamente incompatível com a democracia brasileira.” Só que o tiro saiu pela culatra. Segundo o UOL,  sexta-feira o governo brasileiro negou o pedido de visto aos dois funcionários do governo americano, cujo objetivo era conversar com autoridades eleitorais brasileiras críticas das urnas eletrônicas. O pedido de ...

O mistério da resiliência

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  Achei que a candidatura de Flávio à presidência eram favas contadas, após esse tsunami de crises. Não mais. Sua resiliência vai além da imaginação, o que só mostra a sede da extrema direita de voltar ao poder. A pesquisa DataFolha divulgada ontem mostra que tudo continua (quase) como antes no quartel de Abrantes. O quartel, por sinal, segue passando ao largo da pré-campanha do PL, pelo menos do que se tem notícias. Nos quatro últimos anos os milicos não deram o ar da sua graça. Nem nos demos conta do alívio que foi não ter nenhum verde oliva palpitando na política nacional... O que se deduz que os eleitores da extrema direita não estão nem aí para o assalto que Flávio Bolsonaro fez ao ladrão mor, Daniel Vorcaro. É verdade que o ministro André Mendonça mandou investigar as tramoias que envolveram “ Dark Horse ”, a cinebiografia de Bolsonaro, e daí ainda pode sair muita coisa...mas será que alguém vai se importar? E mesmo com a obviedade de farsa do armistício entre Flávio e...

Candidatura caótica

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  Talvez agora, diante do caos instalado na candidatura de Flávio Bolsonaro, o papai possa ter se arrependido de ter indicado o filho à sucessão presidencial, ao invés de Tarcísio de Freitas, que poderia até ter chances de enfrentar Lula. Talvez Michelle também se saísse melhor que o filho 01... E, no que depender do entorno do senador, o caos é um fato consumado. O próprio presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, admitiu na terça-feira, em entrevista à CNN Brasil, que Flávio não estava preparado para ser candidato à presidência. “Ele foi escolhido pelo Bolsonaro e não tinha feito uma estrutura, um trabalho antes para ser candidato a Presidente da República. Agora é que estamos conseguindo andar com esse assunto (imagine o significa isso diante do que se vê?). Não parou por aí. Após a fala desastrada de Valdemar foi a vez do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, tentar consertar a situação: “Ele não estava preparado para ser o candidato porque o candida...