Brizola, eterno como sua obra
Fui atropelada pelos fatos e demorei a prestar minha homenagem pelos 104 anos de Leonel Brizola (1922-1982). Tive o privilégio de acompanhá-lo de perto no seu primeiro governo no Rio de Janeiro, como setorista do Jornal do Brasil. Ao invés de ir diariamente ao jornal, meu rumo era o Palácio Guanabara, em Laranjeiras (pertinho de casa). Vivíamos os estertores da ditadura militar, a cada dia mais enfraquecida, sob a nefasta presidência do general João Batista Figueiredo – que preferia cavalos aos seres humanos. O cerceamento às liberdades começava a se esgarçar. Tanto que manifestações na porta do palácio eram quase que diárias. O povo recuperava seu direito de voz, após longo e tenebroso inverno de proibições, perseguições e prisões por qualquer motivo que pudesse cheirar a luta por direitos. As visitas ao governador eram constantes. Ulisses Guimarães era um que volta e meia batia seu ponto (na foto, de Aguinaldo Ramos, com Tarso de Castro). Ao contrário do que passamos nos ...