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Finalmente, o descanso em paz

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  Finalmente Marielle Franco e Anderson Gomes podem descansar em paz. Passados oito anos daquele brutal assassinato, que mais parecia cena da máfia, a Primeira Turma do STF condenou ontem – por unanimidade – os irmãos Domingos – conselheiro do TCE-RJ e o ex-deputado federal Chiquinho Brazão a 76 anos de prisão, por planejar o assassinato da vereadora do PSOL e de seu motorista, em 14 de marco de 2018. Os dois e Ronald Paulo Alves Pereira foram condenados por duplo homicídio e homicídio tentado – este último, a 56 anos de prisão -, da assessora de Marielle, Fernanda Chaves, obrigada a deixar o país após o crime. Ela vai receber parte dos R$ 7 milhões em reparação de danos junto aos familiares determinados pela Corte Os irmãos e Robson Calixto, o Peixe, também foram condenados por organização criminosa. Já o quinto réu, Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio – que posava de conselheiro da família de Marielle -, foi condenado a 18 anos de prisão por obstrução de Justiça...

A comédia de erros do clã

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  Nesses tempos de pré-campanha, umas das coisas que mais me surpreendeu foi ver Flávio Bolsonaro fazendo a defesa da cientista Tatiana Sampaio (foto), que fez tetraplégicos irreversíveis voltarem a andar com sua descoberta da Polilaminina. Como se sabe, foi Michel Temer, aliado dos Bolsonaro, quem vetou o pagamento da patente internacional da descoberta (a nacional Tatiana bancou do próprio bolso). E foi o papai de Flávio quem queria entupir os brasileiros de cloroquina, enquanto evitava a compra das vacinas. É essa a falsidade do Bolsonaro que tomou vacina que eles querem forjar? A comédia de erros da familícia e de seus aliados é indizível. A mais – literalmente – saborosa foi Michelle levar de lanche para Bolsonaro na Papudinha bananas fritas. Ironia ao apelido de Eduardo, que andou envenenando a ex-primeira-dama e o bolsonarista de carteirinha, Nikolas Ferreira. Bananinha acusou os dois de estarem sofrendo de amnésia, por não embarcarem visceralmente na campanha à presidênci...

Julgamento ainda indefinido

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Hoje, os supostos mandantes do assassinato de Marielle e Anderson começam a ser julgados pela Primeira Turma do STF. Ronnie Lessa, autor confesso dos tiros que mataram a vereadora e seu motorista, delatou os irmãos Brazão e o delegado Vivaldo Barbosa como mandantes do brutal crime. Que levou oito anos para ser solucionado, o que só ocorreu quando o então ministro da Justiça, Flávio Dino (sempre ele), tomou as rédeas do caso. Os próprios familiares das vítimas temiam que o processo desandasse de vez se passasse das mãos do Estado para a PF. Que logo matou a charada. Lessa e Queiroz já foram condenados. Serão julgados os irmãos Brazão, Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil; o PM Paulo Alves Pereira, ex-chefe da milícia da Muzema e Robson Calixto da Fonseca, o Peixe.  Todos negam tudo. Confesso que a solução me surpreendeu. Achava que a vizinhança de Lessa com Bolsonaro, no Condomínio Vivendas da Barra, e o sumiço do porteiro cujo depoimento poderia incriminar o clã, eram indíc...

Uma distopia para Gaza

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  A primeira vez em que ouvi a expressão "Janela de Overton", pelo jornalista Pedro Dória, aprendi que, na época, ela se referia à tentativa da extrema direita de desmentir o Holocausto, no início do governo Bolsonaro, quando se buscavam soluções contra as fake news e à propaganda bolsonarista.  A teoria, criada por Joseph Overton (1960-2003), mostra como a opinião pública pode ser manipulada em etapas, com a naturalização de uma ideia antes considerada absurda. Agora, vemos Benjamin Netanyahu fazer com os palestinos da Faixa de Gaza o que os alemães fizeram aos judeus. Ontem, me deparei com a impressionante informação da jornalista Dorrit Harazim, de que o Museu Britânico – com suas centenas de anos de pilhagens -, removeu o termo “Palestina” de parte do seu acervo sobre o Oriente Médio. Os textos, mapas e painéis alterados estão na ala que inclui os territórios do antigo Levante e do Egito anteriores à Era Cristã. Ali, a costa leste do Mediterrâneo chamava-se Palestina e ...

Witzel quer voltar ao Guanabara

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  Lembra aquele que defendia “é para atirar na cabecinha”? Pois é, passado seu período de inelegibilidade após ser cassado por crime de responsabilidade (envolvimento em fraudes eleitorais e compra de equipamentos e celebração de contratos durante a pandemia da covid-19), Wilson Witzel volta à carga. Concorre – de novo – ao governo do Rio pelo Democracia Cristã (DC). A nova aventura de Witzel é capitaneada por Aldo Rebelo, pré-candidato à presidência pelo DC. O último saltou da esquerda à direita, com passagens pelo PCdoB, PSB e PDT. Foi ministro de Dilma e Lula, porém, já em seu novo partido como deputado federal, chamou o 8 de janeiro de “fantasia” do PT, para manter a polarização. Ou seja, vestiu a camisa do conservadorismo. Seu pupilo assumiu o governo do Rio em 2018, em ascensão meteórica, puxada pela avalanche bolsonarista.. Sempre marcado por ações espetaculosas, Witzel foi afastado do cargo em 2020 e cassado do Palácio Guanabara um ano depois. Agora, o ex-juiz alega ter...

Dois pesos e duas medidas

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  Até um príncipe britânico passou 11h atrás das grades. Como se sabe, Andrew Mountbatten-Windsor (foto), irmão do rei Charles III, foi preso na última quinta-feira, após a divulgação de e-mails pelo Departamento de Justiça dos EUA de que o ex-duque teria compartilhado relatórios confidenciais de visitas oficiais a Hong Kong, Vietnã e Singapura com Jeffrey Epstein. O ex-príncipe já havia renunciado às suas funções reais em 2019, quando disse  se lembrar de ter conhecido Virginia Giuffre, que o acusou de ter feito sexo com ela três vezes em sua adolescência. Ela o processou  por agressão sexual  em um tribunal em Nova York, em 2021. E teria pago a Giuffre milhões de dólares no ano seguinte para abafar o caso. Segundo familiares, ela se matou na Austrália em 25 de abril de 2025, aos 41 anos. A causa da atual prisão, porém, não seria essa.  A prisão aconteceu após a polícia britânica anunciar a abertura de uma investigação para apurar se ele teria enviado rela...

Os conservadores não se suportam

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  Foi com indisfarçável prazer que começou, para mim, o desfile das Escolas do Primeiro Grupo. A Acadêmicos de Niterói já abriu sua apresentação com uma história real do Brasil: a atriz que representava a presidente Dilma Rousseff teve sua faixa presidencial surrupiada por seu vice, Michel Temer, que a entrega para um ser ávido pelo poder, Jair Messias Bolsonaro. Se a escola resolvesse se alongar na história do ex-presidente, reproduziria sua tramoia por melhores salários quando planejou explodir a Estação de Tratamento do Guandu e instalações militares. Daquela vez, nem chegou a esquentar lugar na cadeia. E achou que seria sempre assim. Que poderia tramar golpes para derrubar a democracia brasileira e nada lhe aconteceria. Acreditou piamente que seus álibis funcionariam. Só que não funcionaram. E, desde que se viu detido – inicialmente pela sua própria tentativa de destruir a tornozeleira eletrônica -, não tem feito outra coisa senão inventar outro golpe. Para tirá-lo da cadei...