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Armas como política pública

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  Ontem falei aqui do câncer bolsonarista ainda sem cura. Pois hoje falo de uma metástase. Que mais parece piada de mau gosto. O deputado Marcos Pollon (PL-MS) teve o desplante de propor o projeto “Minha primeira arma”, para baratear os custos das armas e torná-las mais acessíveis aos “cidadãos de bem”, como aqueles que depredaram a Praça dos Três Poderes no 8 de janeiro de 2022 para evitar a posse de Lula. Pollon embalou seu PL 2.959/2025 como se fosse uma política pública, como o “Minha casa minha vida” ou o “Gás do povo”, o qual, é bom lembrar, não teve o apoio de bolsonaristas como Nikolas Ferreira ou Bia Kicis. Que motivo eles teriam para negar um benefício tão essencial à população mais pobre? Na cabeça deles, é melhor que o povo se dane do que um projeto de Lula ser bem sucedido. Sobretudo em ano eleitoral. Pois Pollon conseguiu chegar ao auge do paroxismo. No relatório apresentado na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO), o cerne de seu pr...

Um câncer ainda sem cura

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  “A democracia só vai existir quando o STF for fechado. Nunca existiu ditadura e nem tortura no Brasil. Nunca houve tentativa de golpe, a prisão de Bolsonaro e dos generais é completamente injusta. O governo Lula é comunista e só faz roubar o povo brasileiro”. Esse foi o teor da estarrecedora conversa do meu marido com um funcionário dos Correios.  Mais uma vítima da lavagem cerebral sofrida pelos bolsonaristas, cuja análise, do pr ofessor de História e do Programa de Pós Graduação em Direitos Humanos da IFSP, Thomas de Toledo, sintetizo abaixo. "O bolsonarismo não é apenas uma posição política conservadora ou um alinhamento eleitoral circunstancial. Ele opera como um sistema de doutrinação emocional que substitui análise da realidade por pertencimento, crítica por fidelidade e política por guerra cultural permanente. Sua força não está em ideias consistentes, mas na repetição obsessiva de slogans simples, no medo fabricado e na criação de inimigos imaginários. Essa é a p...

O juiz taradão

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Personagem que parece saído de um filme de Grouxo Marx, só que sem o menor humor, o ministro do STJ, Marco Buzzi, já coleciona duas denúncias de importunação sexual. Sua estratégia foi fugir numa licença médica de 90 dias. Calhorda e covarde. Só que ontem o STJ determinou seu afastamento temporário: ele não poderá usar seu local de trabalho, veículo oficiais e prerrogativas do cargo. Continua, porém, recebendo seus R$ 44 mil mensais (nada mal). As conclusões finais sobre o caso se darão na sessão de 10 de março.  Há mais detalhes sobre o primeiro episódio, ocorrido em 8 de janeiro com uma jovem de 18 anos, durante as férias que ela passava com a família no Balneário de Camburiú (SC), na residência do ministro. Os ataques teriam ocorrido no mar. Como ela não era nenhuma pateta, relatou a história aos pais, que  em seguida  teriam deixado a casa de Buzzi e registrado queixa num BO em São Paulo. A vítima já confirmou sua versão à Corregedoria. Só que o tarado não parou...

Bad Bunny redireciona os latinos

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  Nunca tinha ouvido falar em Bad Bunny (foto) e, como não sou chegada a futebol, jamais acompanhei um Super Bowl . Pois agora sou Bunny desde pequeninha. Esse ano foram 135 milhões – o intervalo mais visto da história do Bowl - sob a mensagem do ídolo porto-riquenho da importância dos imigrantes para os EUA. Um grito do orgulho latino-americano. Conciliador: "Juntos somos América". Em espanhol, do início ao fim. Por isso mesmo, considerado uma provocação por Donald Trump: “Uma afronta à grandeza da América”. Ou mais um tiro no pé do líder republicano, após postar o vídeo onde Obama e Michelle aparecem como dois macacos. Pelo qual sequer se desculpou. Ou seja, forte sinal de derrota iminente – dos últimos esse parece ser o mais potente e ameaçador para as eleições de novembro que vão reconfigurar o Congresso. Aliados do presidente norte-americano têm identificado seu comportamento como errático, justamente por temor à sua queda.   Pesquisa do USA Today junto à Univers...

Evidências de pedofilia

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  Na última sexta-feira, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) divulgou o derradeiro lote dos arquivos do pedófilo Jeffrey Epstein. Consta que os casos mais escabrosos continuam mantidos em segredo.  Difícil até imaginar este tipo de conteúdo... Entre as 3 milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos, ficamos sabendo que em 6 de outubro de 2018, véspera do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil entre Bolsonaro e Fernando Haddad, Epstein escreveu ao amigo Steve Bannon, estrategista de Trump: “Eu acho que o seu cara (Jair) vai ficar para o segundo turno." Ao que Bannon respondeu: “Meu cara no primeiro turno”. Eram 23h30 do dia 7 de outubro, quando Epstein avisou a Bannon: “Bolsonaro chegou perto.” E o ideólogo respondeu: “Estive no telefone com eles. Grande conquista no Congresso, mas insuficiente para vencer (no primeiro turno).” Naquela noite, o PSL ampliou sua bancada de 1 para 52 deputados federais, além de eleger quatro senadores. Em tro...

Ninguém escapa da fraude do Master

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  Quanto mais se fala do rombo do Master, mais assombração aparece. A tese do editor do Meio , Pedro Dória, não livra a cara de ninguém nessa bola de neve que só faz crescer. Dias Toffoli segue responsável pelo caso do Banco Master. Mais antiético, impossível. Os irmãos de Toffoli, que vivem humildemente, são sócios indiretos de Daniel Vorcaro, do Master, no milionário resort Tayayá, frequentado pelo magistrado de jatinho e helicóptero. Toffoli declarou sigilo máximo. Ele e o ministro Alexandre de Morais (que muito fez pela nossa democracia e agora pisa na bola) estão envolvidos, o segundo pelo milionário contrato de sua mulher com o Master. Mesmo com seu esforço pelo código de ética no STF, Fachin deixou rolar os dois casos. Pois Toffoli abriu o sigilo que decretou para o presidente do Senado, David Alcolumbre (UB-AP), cujo Fundo de Previdência dos Servidores aplicou cerca de R$ 400 milhões no Master. Perdeu tudo. Por que investir num banco que a Faria Lima inteira sabia que ...

O enterro dos penduricalhos

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  O ministro Flávio Dino (sempre ele) decidiu que os três poderes devem revisar e interromper imediatamente os penduricalhos, benefícios extras e gratificações que originam os supersalários, muito superiores ao texto constitucional (R$ R$ 46.366,19) recebido pelos magistrados do STF. Mais uma vez, palmas para ele. A decisão, porém, não vai impactar a aprovação pelo Congresso de reajustes – com gratificações e mecanismos compensatórios, tipo auxílio Panetone e Peru –, cujo impacto será de R$ 790 milhões. Resta a Lula vetá-la. Segundo O Globo , são gastos cerca de R$ 20 bilhões anuais com remunerações acima do teto. Por 60 dias, segundo a ordem de Dino, os órgãos terão de realizar um pente fino e suspender verbas que ultrapassem o limite constitucional de remuneração. Até então, pagos com o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho. A iniciativa do magistrado seria uma resposta à reclamação da Associação dos Procuradores Municipais do Litoral Centro Sul do Estado de São Paulo, que ...