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Uma distopia para Gaza

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  A primeira vez em que ouvi a expressão "Janela de Overton", pelo jornalista Pedro Dória, aprendi que, na época, ela se referia à tentativa da extrema direita de desmentir o Holocausto, no início do governo Bolsonaro, quando se buscavam soluções contra as fake news e à propaganda bolsonarista.  A teoria, criada por Joseph Overton (1960-2003), mostra como a opinião pública pode ser manipulada em etapas, com a naturalização de uma ideia antes considerada absurda. Agora, vemos Benjamin Netanyahu fazer com os palestinos da Faixa de Gaza o que os alemães fizeram aos judeus. Ontem, me deparei com a impressionante informação da jornalista Dorrit Harazim, de que o Museu Britânico – com suas centenas de anos de pilhagens -, removeu o termo “Palestina” de parte do seu acervo sobre o Oriente Médio. Os textos, mapas e painéis alterados estão na ala que inclui os territórios do antigo Levante e do Egito anteriores à Era Cristã. Ali, a costa leste do Mediterrâneo chamava-se Palestina e ...

Witzel quer voltar ao Guanabara

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  Lembra aquele que defendia “é para atirar na cabecinha”? Pois é, passado seu período de inelegibilidade após ser cassado por crime de responsabilidade (envolvimento em fraudes eleitorais e compra de equipamentos e celebração de contratos durante a pandemia da covid-19), Wilson Witzel volta à carga. Concorre – de novo – ao governo do Rio pelo Democracia Cristã (DC). A nova aventura de Witzel é capitaneada por Aldo Rebelo, pré-candidato à presidência pelo DC. O último saltou da esquerda à direita, com passagens pelo PCdoB, PSB e PDT. Foi ministro de Dilma e Lula, porém, já em seu novo partido como deputado federal, chamou o 8 de janeiro de “fantasia” do PT, para manter a polarização. Ou seja, vestiu a camisa do conservadorismo. Seu pupilo assumiu o governo do Rio em 2018, em ascensão meteórica, puxada pela avalanche bolsonarista.. Sempre marcado por ações espetaculosas, Witzel foi afastado do cargo em 2020 e cassado do Palácio Guanabara um ano depois. Agora, o ex-juiz alega ter...

Dois pesos e duas medidas

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  Até um príncipe britânico passou 11h atrás das grades. Como se sabe, Andrew Mountbatten-Windsor (foto), irmão do rei Charles III, foi preso na última quinta-feira, após a divulgação de e-mails pelo Departamento de Justiça dos EUA de que o ex-duque teria compartilhado relatórios confidenciais de visitas oficiais a Hong Kong, Vietnã e Singapura com Jeffrey Epstein. O ex-príncipe já havia renunciado às suas funções reais em 2019, quando disse  se lembrar de ter conhecido Virginia Giuffre, que o acusou de ter feito sexo com ela três vezes em sua adolescência. Ela o processou  por agressão sexual  em um tribunal em Nova York, em 2021. E teria pago a Giuffre milhões de dólares no ano seguinte para abafar o caso. Segundo familiares, ela se matou na Austrália em 25 de abril de 2025, aos 41 anos. A causa da atual prisão, porém, não seria essa.  A prisão aconteceu após a polícia britânica anunciar a abertura de uma investigação para apurar se ele teria enviado rela...

Os conservadores não se suportam

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  Foi com indisfarçável prazer que começou, para mim, o desfile das Escolas do Primeiro Grupo. A Acadêmicos de Niterói já abriu sua apresentação com uma história real do Brasil: a atriz que representava a presidente Dilma Rousseff teve sua faixa presidencial surrupiada por seu vice, Michel Temer, que a entrega para um ser ávido pelo poder, Jair Messias Bolsonaro. Se a escola resolvesse se alongar na história do ex-presidente, reproduziria sua tramoia por melhores salários quando planejou explodir a Estação de Tratamento do Guandu e instalações militares. Daquela vez, nem chegou a esquentar lugar na cadeia. E achou que seria sempre assim. Que poderia tramar golpes para derrubar a democracia brasileira e nada lhe aconteceria. Acreditou piamente que seus álibis funcionariam. Só que não funcionaram. E, desde que se viu detido – inicialmente pela sua própria tentativa de destruir a tornozeleira eletrônica -, não tem feito outra coisa senão inventar outro golpe. Para tirá-lo da cadei...

Mais vida (desde que) bem vivida

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Jornalistas que se prezam têm o cuidado de encaixar seus textos a fatos. Melhor ainda, a efemérides. Quase que esse post se encaixa com perfeição à regra. Apesar de um bocadinho atrasado, não perde a atualidade, porém. No mês passado escrevi  falando da importância que os Cieps poderiam ter para o Brasil se tivessem continuidade. E recebi da amiga Andrea Figueiredo os imperdíveis cinco episódios de “O Brasil de Darcy Ribeiro”. A história de Darcy é paralela à história do Brasil. E vive e versa. Sua existência dá conta do que aconteceu de importante no Brasil durante sua vida  (26/10/1922- 17/02/1997). E, ontem, tive o privilégio de receber um epitáfio desse grande pensador, quando Leonardo Boff – a pedidos – o acompanhou em seus últimos momentos, que reproduzo abaixo:     “Termino esta minha vida exausto de viver, mas querendo mais vida, mais amor, mais saber, mais travessuras. A você que fica aí, inútil, vivendo vida insossa, só digo: "Coragem! Mais vale errar,...

Um desfile de lavar a alma

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Se inveja matasse, os bolsonaristas estariam fulminados. Por enquanto, eles recorrem à Justiça, porém. Apesar das piores previsões de inelegibilidade ao presidente – antigo mal do capitão -, Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil , da Acadêmicos de Niterói, abriu o Primeiro Grupo no domingo. Até agora ilesa... Fez a avenida transbordar de alegria – “sem anistia”, era o brado retumbante, apesar das Organizações Globo... A comissão de frente contou a história recente do Brasil: Dilma Rousseff tem sua faixa presidencial “roubada” por Michel Temer, que a entrega ao personagem fantasiado de Bozo presidiário (foto). Que seguiu com “arminhas” na mão em meio a cruzes, símbolos do seu morticínio. E as famílias enlatadas em conserva foi genial (apesar do potencial ofensivo aos evangelicos). Tudo d e lavar a alma. A  TV Globo escorregou na parcialidade, ao tratar o desfile como algo ilícito, como se a alegria popular fosse pecado. Tanto que só começou a transmit...

Emenda pior que o soneto

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  Prometi a mim mesma que não escreveria mais sobre o Caso Master. Além de economia não ser o meu forte, a cada dia surgem novos envolvidos, como seria de se esperar da esperteza do proprietário do banco, Daniel Vorcaro, que tratou de se proteger ao se associar aos poderosos.  Após longa e sofrida agonia, o ministro Dias Tofolli, por exemplo, cedeu os pontos e abriu mão da sua relatoria. Como se sabe, a cada dia ficava mais evidente seu envolvimento e suas tentativas de acobertar os fatos. Foi preciso, porém, a PF entregar ao presidente da Corte, o ministro Edson Fachin, o conteúdo extraído do celular de Vorcaro, para os ministros se reunirem e forjarem um apoio a Tofolli para deixá-lo à vontade para passar a bola. Não sabemos o conteúdo do tal relatório da PF, mas ficaram públicos telefonemas entre o banqueiro e o magistrado, o convite de Tofolli a Vorcaro para sua festa de aniversário, além das conversas do banqueiro com terceiros sobre pagamentos ligados ao resort Tayayá ...