Vacila reação contra a Anistia

 


Já não somos mais os mesmos, como dizia Belchior. Me refiro à capacidade de convocar participantes a atos públicos. Tenho repetido que precisamos ir às ruas para marcar nossa posição contra a anistia. O deputado Guilherme Boulos deu um passo à frente e fez uma convocação para o próximo domingo (30): NÃO à anistia e SIM à prisão de Bolsonaro.

Também extensiva ao 1° de abril, que deflagrou os 21 anos de ditadura militar.

Só ontem – portanto a quatro dias do evento -, encontrei algum serviço no site Brasil de Fato sobre o ato. Há convocações para todo o país. Porém, fiquei pasma com a decisão: no Rio haverá três encontros, todos às 10h30. No Aterro (sequer há um ponto definido, já que o parque é gigante), Feira da Glória e República (será o museu?). Parecem ter sido projetadas para esvaziar...

Já, em São Paulo, a concentração ocorre às 13h, na Praça Oswaldo Cruz, na Paulista, perto do metrô da Brigadeiro, e às 14h segue em caminhada até o antigo Doi-Codi.

Ontem, por sinal, participei do ato “Ocupa Rubens Paiva, Tortura Nunca Mais”, na Tijuca, estrategicamente convocada para a Praça Lamartine Babo, em frente ao Doi-Codi. Eram cerca de 300 participantes, no auge da concentração (foto), com muitas bandeiras do PCdoB – o grupo político mais atingido pela ditadura militar.

O palco e as cadeiras foram montadas perto do busto de Rubens Paiva (abaixo), que morreu ali em frente, como outros milhares de militantes que lutavam pela volta da democracia. 

Muita gente falou. Vera, a filha de Rubens e Eunice, justificou sua ausência por estar dando aulas na universidade, enquanto Marcelo lançava seu livro – que deu origem ao premiado “Ainda estou aqui” – na Europa.

O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ) era um dos presentes, e me disse: “É importante voltarmos às ruas, para disputar com a memória da ditadura”. Ele não participou da organização do ato de domingo, mas soube que os responsáveis preferiram investir todas as fichas em São Paulo.

Assim como fez o Inelegível com o Rio de Janeiro.

Entre os palestrantes ecoaram alguns recados: “o fascismo não desaparece”, ou, a proposta de transformar aquela sede do Doi-Codi em Museu da Memória da Tortura Nunca Mais.

E, entre uma maioria de cabeças brancas, a faixa “Por memória, verdade e Justiça – onde estão Rubens Paiva e os 210 desaparecidos da ditadura?” remetia a velhos tempos em que as redes sociais ainda não substituíam a presença física.

Me parece que a esquerda – temporariamente saciada pela cassação de deputados bolsonaristas e pela transformação do ex-presidente e dos sete mais influentes golpistas em réus – está de salto alto. Assim como as forças progressistas.

Já tive uma amostra desse espírito nos primeiros atos contra o governo Bolsonaro, no pós-pandemia.  

Nessa toada, vamos precisar de muita sorte para não sucumbir à voracidade transnacional da extrema direita...

Comentários

  1. Carlos Minc
    🤔🤔🥸🥸
    💃🪂🦋🪘💥🌻🌲🌏🎷🚴‍♀️💪🏽

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  2. Moises Augusto
    Parece que a Esquerda das grandes manifestações de rua envelheceu, e os jovens acham que estar diante de alguma tela ja basta.

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    1. Acho que esse raciocínio seria uma boa explicação para o que acontece

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  3. Eurídice Pinheiro Pitti
    #SemAnistiaPraGolpista

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  4. Socorro Aquino
    Anistia é só pra quem tem condenação injusta, que não é o caso do miliciano e sua “turminha” que é bem grande.

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  5. Mindinho Veríssimo
    No RJ e SP, tem que ter mais que 20 k, de outra forma vão usar para discurso bolsonarento.

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    1. Pois é, não podemos dar a eles a chance de nos desmoralizar

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  6. Eduardo Aguiar
    Um absurdo essa "acomodação" que já não é de agora não...pra mim ela vem de algum tempinho já

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  7. Luis Augusto Biazzi
    Fiquei sabendo por acaso do ato em São Paulo. E pretendo ir.
    A divulgação pela redes é muito baixa, só chega na própria bolha

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    1. Que bom que vc vai, eu não tenho condições. De qq forma a divulgação deixa mto a desejar

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  8. Valdo Oliveira
    Eu teria dito que é cedo. O Ato pode ser pequeno. Estão querendo colocar lenha na fogueira nesse momento delicado. Tem que ter outras pautas

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  9. M Christina Fernandes
    Política de só assistencialismo dá nisso, o povo não é bobo, não quer só penduricalhos, quer políticas públicas que permaneçam, continuamos pedindo como em 2013: Saúde, Educação, Saneamento, Transporte, Segurança.

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    1. Celina Côrtes
      Sonia Regina Gomes Soares E com isso os bandidos vão ganhando terreno...

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  11. Americo Vermelho
    Concordo com vc...Eu so soube ontem a noite que teria ato aqui no Rio, no "Aterro", sem ninguém conseguir dizer "onde" no Aterro, já que ele vai do Centro da cidade até Botafogo, ou seja, é imenso.

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  12. Respostas
    1. Sim, mas não pode ser em cima da hora

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    2. Maristela Soares
      Celina Côrtes , com certeza. Tudo precisa ser organizado. Planejado.

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  13. Cesar Pinho
    É mais um desafio que precisa ser vencido depois que o inelegível mecantilizou as manifestações com o cartão corporativo do governo. Precisamos despertar novamente no povo os valores ideológicos que sustentam nossa democracia.

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  14. Marcia Loureiro
    Bora eleger um destes pontos no Rio e sentar o dedo na difusão. No Aterro seria providencial elegermos um dos 3 postos ( me refiro aos que tem banheiro e chuveiro 😉)

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    1. Amiga, já tá difícil a galera sair de casa para manifestação, com três alternativas para escolher, parece um plano sobre como fazer atos esvaziados...

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  15. Noeli Maria Stürmer
    Quem tiver pés, voz e consciência, PRECISA ir!
    Não dá pra baixar a guarda!

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    1. Tb acho, mas aqui no Rio parece brincadeira o que inventaram

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  16. Ana Martins
    Também acho um absurdo a falta de planejamento!! Precisamos ir para as ruas sim!! Há o perigo iminente de conseguirem se safar com a anistia!! Boraaaaa a hora eh agora!!!

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  17. Maria José Medeiros
    #Sem AnistiaParaGolpistas

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  18. Beatriz Flores
    Concordo! Precisamos vociferar contra

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  19. Sandra Mara Rios
    Bora pra rua... sem anistia golpistaaaa é golpistaaaa mesmo

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  20. Fábio
    Vai sair matéria no site oficial do PT
    pt.org.br

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    1. A matéria atribui o movimento às Frentes Brasil Popular e Brasil sem medo às 10h30, nos três locais diferentes citados no post

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    2. Chegar às vésperas do evento sem serviço é duro

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    3. Fábio
      Não é véspera. Hoje é sexta. A manifestação é domingo

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  21. Marga Franca
    Excelente sua análise, muito realista e bem atual. Parece que há muito tempo a esquerda está engessada, sem mobilização, sem poder de reação.

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  22. Myrna Maciel
    É um assunto que não mobiliza as massas.

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  23. Eliane Bardanachvili
    Também não soube de nada. Se é para reunir gatos pingados, melhor não fazer

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