Países à mesa ou no cardápio?
O discurso mais relevante de Davos, no frio suíço, não foi o do bufão Donald Trump, e sim o do primeiro ministro do Canadá, Mark Carney (foto), em texto escrito pessoalmente, algo raro em falas desse porte. “O mundo não vive uma transição, mas uma ruptura. A chamada ordem internacional baseada em regras está se desfazendo “, ele aponta.
Instituições
como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial do Comércio (OMC)
perderam força e a integração econômica passou a ser usada como instrumento de
coerção, com tarifas, sanções e cadeias de suprimento que passaram a ser usadas
como armas políticas.
Carney
criticou a tentação de acomodação ao confronto e à crença de que a submissão compra
segurança. Ao citar o historiador grego Tucídites, do século V (AC), lembrou que
em tempos de rivalidade entre grandes potências os fortes fazem o que podem e
os fracos sofrem.
Para países
médios como o Canadá (e o Brasil) aceitar essa lógica significaria desaparecer
do jogo. A alternativa é clara, os países médios precisam agir juntos. “Se não
estivarem à mesa, estarão no cardápio”. Também alertou para os riscos de um mundo de
fortalezas no qual cada país busca autossuficiência total.
Esse
caminho leva a um mundo mais pobre e mais perigoso. O Canadá buscará combinar
princípios como soberania, integridade territorial, direitos humanos com
pragmatismo estratégico, diversificando parceiros, dobrando gastos em defesa e
costurando novas alianças com a Europa, Ásia, América Latina, China e Oriente
Médio.
Segundo
ele, o Velho Mundo dos últimos 80 anos não vai voltar, mas da fratura pode
surgir algo melhor, se os países médios pararem de fingir que nada mudou e começarem
a agir de forma coordenada, honesta e estratégica.
(Fonte: Pesquisador e professor da FGV Oliver Stuenkel)
No mais, voltamos à corrida do Oscar, com indicações de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor ator e Melhor Elenco, o que pode abrir caminho à premiação da extraordinária Tânia Maria. Espera-se que ela supere o medo de viajar horas de avião sem fumar cigarro para participar da festa nos EUA em 15 de março!

Elias Fajardo da Fonseca
ResponderExcluirDiscurso ótimo. Partilhei.
Quem roubou a cena da mídia foi Trump, porém, a consistência do discurso de Carney ficará como marco desse estranho momento histórico que vivemos
ResponderExcluirCeleste Cintra
ResponderExcluirConcordo. Botou os pontos nos iis
Quando escrevi esse post sabia que não ia dar muita audiência, assim como o discurso do canadense não teve o justo reconhecimento
ResponderExcluirCarlos Minc
ResponderExcluir🤔🤔🤔
💃🏿💃🏿💃🏿📽️📽️📽️😍😍😍🙏🏼🙏🏼🙏🏼🌏🌏🌏💚💚💚
Mindinho Veríssimo
ResponderExcluirCom um ano de mandato Trump já significa caos, imagina se concluir os 4 anos..
E pode estar certo de que ele vai tentar um golpe para emplacar o terceiro mandato
ResponderExcluirFernando S Ferreira
ResponderExcluir"Se não estiverem à mesa, estarão no cardápio", resume perfeitamente a situação de muitos países alinhados aos EUA.
Achei brilhante!
ResponderExcluirJorge Lúcio de Carvalho Pinto
ResponderExcluir• 1º
Jornalista/Redator
25 min
Pronunciamento lúcido do primeiro-ministro do Canadá. É isso mesmo. As nações médias e democráticas do mundo têm de se unir. Para começar, não há mais tempo a perder. A divisão do mundo em três foi lançada. EUA e Rússia já deram vários passos nesse sentido. O Brasil, como um dos principais países médios do mundo deve se engajar. Entre as primeiras medidas a serem adotadas é buscar um papel de protagonismo da Palestina nos destinos de Gaza. Sem essa participação não há diálogo. Os países médios também devem incrementar a busca por mais mercados e comercializar mais entre si. O que não podem fazer é ficar só assistindo, só esperando
Exatamente, é pra ontem!
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