Quando a ficção pode dar ruim

Não por acaso, o Brasil levou seu primeiro Oscar de Melhor Filme Internacional por “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, filme que deu a Fernanda Torres a primeira vitória brasileira como melhor atriz de drama no Globo de Ouro, em 2025.

O Brasil volta a brilhar na mesma modalidade de Fernanda, concedida a Wagner Moura, e melhor filme de Língua não Inglesa, também no Globo de Ouro, por “Agente secreto”, de Cleber Mendonça. Filme que conquistou ainda a melhor direção e melhor ator no Festival da Cannes de 2025.

Os dois longas – cada ao seu jeito – denunciam as atrocidades cometidas pela ditadura militar. E os resultados no Globo de Ouro abrem um promissor caminho a novas vitórias no Oscar. "Há dez anos, o Brasil deu uma guinada radical à direita. Este tempo mudou. Agora nosso ex-presidente está na prisão", denunciou Mendonça ao receber o prêmio. 

Sabemos que Bolsonaro passou sua gestão detonando a cultura. A média paga por empresas pela Lei Rouanet subiu 33% no governo Lula, o que já mostra uma mudança de paradigma. Por sinal, nenhum dos dois filmes premiadíssimos a usou. (a Anvisa destinou R$800 mil ao "Agente secreto").

Só que onde os bolsonaristas metem a mão em produtos culturais, dá ruim, como nas filmagens de “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente. Apesar de toda a maledicência a incentivos fiscais, a produção levou R$ 108 milhões da prefeitura de São Paulo para implantar internet wi-fi em regiões carentes no pacote (parcialmente cumprido).

Karina Ferreira da Gama, que preside a ONG Instituto Conhecer Brasil, é produtora executiva do filme sobre Bolsonaro, preside ainda o Instituto Conhecer Brasil e é sócia única da Go Up Entertainment, empresa por trás de "Dark Horse". É ligada aos setores evangélicos. 

Dirigida por Cyrus Nowrasteh, a produção é protagonizada por Jim Caviezel – dois ilustres desconhecidos norte-americanos. O dublê de ator Mario Frias, ex-secretário de Cultura e deputado federal pelo PL, assina o roteiro e faz o médico que atendeu Bolsonaro após a facada, em 2018.

Gravado em São Paulo entre outubro e novembro, o filme é avaliado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões, com origens de financiamento desconhecidas. Segundo o Globo, O Sindicato dos Artistas de São Paulo (Sated-SP) diz ter recebido relatos de agressões, atraso no pagamento e fornecimento de comida estragada a atores e figurantes de "Dark Horse".

 “Foram 15 denúncias, além do que chegou pelas redes sociais”, contabiliza  Rita Teles, presidente do Sated-SP.

Se dependesse dessa gente careta e desonesta, nunca conquistaríamos Oscars e Globos de Ouro...

  




Comentários

  1. Claro, querida. Incompetencia e insensibilidade bastam para justificar seu argumento.

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