Armas como política pública

 


Ontem falei aqui do câncer bolsonarista ainda sem cura. Pois hoje falo de uma metástase. Que mais parece piada de mau gosto. O deputado Marcos Pollon (PL-MS) teve o desplante de propor o projeto “Minha primeira arma”, para baratear os custos das armas e torná-las mais acessíveis aos “cidadãos de bem”, como aqueles que depredaram a Praça dos Três Poderes no 8 de janeiro de 2022 para evitar a posse de Lula.

Pollon embalou seu PL 2.959/2025 como se fosse uma política pública, como o “Minha casa minha vida” ou o “Gás do povo”, o qual, é bom lembrar, não teve o apoio de bolsonaristas como Nikolas Ferreira ou Bia Kicis. Que motivo eles teriam para negar um benefício tão essencial à população mais pobre? Na cabeça deles, é melhor que o povo se dane do que um projeto de Lula ser bem sucedido. Sobretudo em ano eleitoral.

Pois Pollon conseguiu chegar ao auge do paroxismo. No relatório apresentado na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO), o cerne de seu projeto pretende uma intervenção estatal a favor da indústria armamentista, com isenção de tributos federais e linhas de crédito especiais em bancos públicos para multiplicar as armas no país.

As mesmas que, como atestam especialistas, turbinam as mortes em efeito cascata: quanto mais armas circulando, mais óbitos. E Pollon ainda tenta tratar o armamento com a mesma linguagem e ferramentas de programas de habitação ou educação. Segundo ele, a carga tributária sobre armas seria “abusiva”, impedindo o “cidadão comum” de se armar e transformando o acesso em privilégio de uma “elite”.

Agora que Bolsonaro sumiu de cena, encerrado no presídio por sua descarada tentativa de liderar um golpe contra a democracia, deixamos de ver aquelas mãozinhas reproduzindo armas, marca registrada do capitão, sempre em defesa da daninha e perigosa indústria bélica. A substituição chegou, porém.

Só que Pollon pegou tão pesado em sua pretensão que foi obrigado a voltar atrás. Em termos. Ele admitiu que o PL invadia competências do Excecutivo e ignorava exigências de responsabilidade fiscal ao criar despesas sem dotação orçamentária. Sua solução foi substituir o nome “Programa” por  “Política Nacional de Acesso à Primeira Arma de Fogo”. Ah bom!

Após meses de articulação nos bastidores, o fato é que o projeto andou na última segunda-feira, ao ser aprovado na tal comissão. A acalorada sessão ignorou números sobre violência ao priorizar a pauta armamentista e, lamentavelmente, não deixa de ser um caminho à sua futura implementação.

Era só o que faltava ao país...

No mais, o ministro Dias Tofolli entregou a relatoria do Caso Master. Assume o bolsonarista André Mendonça.


 


Comentários

  1. Mindinho Veríssimo
    Sempre assim, some um aparece outro " livre pensador" das armas, uns vermes que incrivelmente tem apoiadores. Toffoli está descoberto e ninguém sabe ainda o que fazer. Como nas armas ,no STF sai um verme e aparece outro que amendonça tudo.

    ResponderExcluir

  2. Maria Helena
    ..A ÚNICA FORÇA QUE PODE VENCER O ÓDIO É A FORÇA DO AMOR ...
    ( DEPOIS DE MAD BUNNY )🐇BOA SEXTA 13 A TODOS ...🐈🐈🐈
    Black Cat GIF by Nebraska Humane Society

    ResponderExcluir
  3. Luiz Eduardo Rezende
    Não dá para esperar nada diferente partindo da canalha bolsonarista

    ResponderExcluir
  4. Marion Monteiro
    Programa Minha Arma, Minha Vida

    ResponderExcluir
  5. Maria De Fatima Soares
    O bolsonarismo virou o CANCRO do Brasil...Deus nos Proteja! 🙁 🙁 🙁 🙁 🙁

    ResponderExcluir
  6. Rute Fernandes
    Concordo, com exatamente tudo!

    ResponderExcluir
  7. Manoel MPantoja
    Ele nem que podia lançar o PL da minha primeira casa, ou o PL do meu primeiro diploma, o PL do meu primeiro carro... Quero dizer que poderia usar sua inteligência pra projetos que levassem a felicidades e não ao luto

    ResponderExcluir
  8. Jorge Lúcio de Carvalho Pinto
    São loucos e cultuam o ódio e a morte, porque arma foi feita para matar; ela não faz outra coisa

    ResponderExcluir

  9. Carlos Alberto Baião
    Pelo jeito o caso Master vá dar em pizza. Com Mendonça é quase certo.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lá vem o Plebiscito Popular Nacional

URGENTE: Mais nova tentativa de golpe

O mais novo golpe da praça