Finalmente, o descanso em paz
Finalmente Marielle Franco e Anderson Gomes podem
descansar em paz. Passados oito anos daquele brutal assassinato, que mais
parecia cena da máfia, a Primeira Turma do STF condenou ontem – por unanimidade
– os irmãos Domingos – conselheiro do TCE-RJ e o ex-deputado federal Chiquinho
Brazão a 76 anos de prisão, por planejar o assassinato da vereadora do PSOL e de
seu motorista, em 14 de marco de 2018.
Os dois e Ronald Paulo Alves Pereira foram condenados por duplo homicídio e homicídio tentado – este último, a 56 anos de prisão -, da assessora de Marielle, Fernanda Chaves, obrigada a deixar o país após o crime. Ela vai receber parte dos R$ 7 milhões em reparação de danos junto aos familiares determinados pela Corte
Os irmãos e Robson Calixto, o Peixe, também foram
condenados por organização criminosa. Já o quinto réu, Rivaldo Barbosa,
delegado da Polícia Civil do Rio – que posava de conselheiro da
família de Marielle -, foi condenado a 18 anos de prisão por obstrução de Justiça e corrupção passiva.
O julgamento escancarou a realidade vivida por
cariocas e fluminenses: o elo entre política, polícia e crime organizado.
Cada vez mais estreito e poderoso.
Apesar da falta de provas alegada pela defesa, a PGR
demonstrou as conexões entre os irmãos Brazão, acusados de encomendar o crime,
com grupos armados que dominam territórios nas zonas Norte e Oeste do Rio. Não
são laços novos, porque já haviam sido mapeados pela CPI das Milícias, comandada
pelo deputado Marcelo Freixo e concluída em 2008.
Cleber Lopes, advogado dos Brazão, expôs a força destes vínculos durante o julgamento: “Quem faz política no Rio e nunca pediu voto
para traficante ou para miliciano que atire a primeira pedra”, comentou, sem se
dar conta de que entregava o ouro ao bandido.
O que aconteceu durante esses oito anos é digno de
um filme de terror, de tardio final feliz. Até a PF entrar no caso, em 22 de
fevereiro de 2023, cinco anos depois do homicídio, por solicitação do então ministro
da Justiça, Flávio Dino – que prometeu resolvê-lo sem demora. Os familiares das
vítimas chegaram a resistir à mudança, temendo que fossem descartadas as investigações
feitas até então. As quais o delegado Rivaldo Barbosa cumpriu à risca a
orientação de desmantelar.
O crime, como se viu – cujos mandantes calcularam
errado que logo seria esquecido – ultrapassou nossas fronteiras e causou clamor
mundial. Mesmo depois da confirmação de que o
autor dos tiros que matou as vítimas foi o ex-policial Ronnie Lessa. Que, além
de ser vizinho de Bolsonaro no Condomínio Vivendas da Barra, tinha uma dívida
de gratidão com o ex-presidente, que lhe ajudou a conseguir uma perna mecânica. As
investigações, porém, seguiram na direção da disputa por território na Zona Oeste.
Segundo a PGR, o clã Brazão nunca parou de expandir seu poder. Domingos
virou conselheiro do TCE-RJ e o vereador Chiquinho foi eleito deputado federal.
Ambos estão presos desde 24 de março de 2024. Continuaram, porém, a receber seus
gordos salários. E foram ajudados pela milícia a adquirir 87 imóveis em Rio das
Pedras e Jacarepaguá.
A causa da morte, portanto, foram as dificuldades
criadas por Marielle para que os dois mantivessem seu criminoso projeto de
expansão de território.
Resta saber se, após esse tardio desfecho, o processo de grilagem de terras no estado do Rio vai seguir em frente. Como se nada tivesse acontecido. E se existem, como ainda se especula, mandantes dos mandantes nas pontas soltas.
Veremos.

Mindinho Veríssimo
ResponderExcluirBandidagem e política, tudo misturado.
Cesar Pinho
ResponderExcluirÉ um passo significativo da lei e da justiça neste estado dominado pelas facções criminosas e Máfia do Jogo do Bicho.
Mas ainda há muito o que fazer, muito PM ainda a ser investigado.
Vilma Santana
ResponderExcluirImagem de Marielle com texto: "OS GIRASSOIS QUANDO MORREM ESPALHAM SEMENTES! MARIELLE PRESENTE! "
Carlos Minc
ResponderExcluir😟😟🤔🤔
💃🏿💃🏿💪🏾💪🏾💃🏿💃🏿🙏🏼🙏🏼💃🏿💃🏿💥💥
ResponderExcluirJorge Lúcio de Carvalho Pinto
É, o importante é frear e eliminar o mau que sobrou. O julgamento dos assassinos é Marielle é Anderson Gomes é só uma etapa desse processo
ResponderExcluirJorge Lúcio de Carvalho Pinto
É, o importante é frear e eliminar o mau que sobrou. O julgamento dos assassinos é Marielle é Anderson Gomes é só uma etapa desse processo
Sim, como disse Monica Benício, viúva de Marielle, o ecossistema que produziu um crime como esse continua em ação
ResponderExcluirArcírio Gouvêa Neto
ResponderExcluirMas será que condenaram as pessoas certas? Esse caso ainda tem muito que ser desvendado.
Acho que a condenação foi justa, porém ainda há pontas soltas
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