Os conservadores não se suportam
Foi com indisfarçável
prazer que começou, para mim, o desfile das Escolas do Primeiro Grupo. A
Acadêmicos de Niterói já abriu sua apresentação com uma história real do Brasil: a atriz que representava a presidente Dilma Rousseff teve sua
faixa presidencial surrupiada por seu vice, Michel Temer, que a entrega para um ser ávido pelo poder, Jair Messias Bolsonaro.
Se a escola
resolvesse se alongar na história do ex-presidente, reproduziria sua tramoia por
melhores salários quando planejou explodir a Estação de Tratamento do Guandu e instalações militares. Daquela vez, nem chegou a esquentar lugar na
cadeia. E achou que seria sempre assim. Que poderia tramar golpes para
derrubar a democracia brasileira e nada lhe aconteceria. Acreditou piamente que
seus álibis funcionariam. Só que não funcionaram.
E, desde
que se viu detido – inicialmente pela sua própria tentativa de destruir
a tornozeleira eletrônica -, não tem feito outra coisa senão inventar outro golpe. Para tirá-lo da cadeia. Para ele, caiu do céu a artimanha da
dosimetria de Paulinho da Farsa, já aprovada pelo Congresso. Bolsonaro, contudo, segue no desconforto de acordar dia após dia privado da sua sagrada liberdade.
Também pode
ter faltado ao enredo da Acadêmicos um dos maiores estímulos à candidatura do capitão: as maracutaias de seu ex-parça, Sérgio Moro. Que, além de conseguir
prender Lula, mesmo sem provas, criou, sozinho, um milhão de desempregados das empresas de engenharia pesada, favor e tanto ao
Tio Sam. E a Bolsonaro, que inaugurou a demonização da classe política. Que
acreditou e assumiu o papel de algo que fede.
Críticos dizem que a escola errou na escolha do
enredo, uma “puxação de saco”. Então, quer dizer que Lula nunca fez nada para
merecer a homenagem? Que sua história não é também a história do Brasil, da atávica falta de oportunidades aos mais pobres? Só porque passou fome e comeu o pão que o
diabo amassou foi capaz de sentir o que sentiu.
E o rebaixamento não foi causado pelo enredo, e sim pelas mesmas falhas na dispersão que tiraram pontos da Portela.
Achei impagável a ala dos enlatados em conserva, uma das maiores fontes de ira da oposição. Um insuportável olhar no espelho para essa crescente massa que se acha dona da opinião pública – infelizmente, hoje maioria no Brasil. E bolsonaristas que pregam liberdade ilimitada, mesmo para convencer revoltados a atirar em escolas, prometem a vitória do “bem” sobre o “mal”.
Desculpem, mas na minha modesta avaliação, o mal é a ignorância, a falta de amor, de estudo, de autocrítica e a incapacidade de rir diante de uma sátira genial. Fica parecendo que eles próprios não se suportam. Seria por se sentirem paralisados no tempo?
(Com charge de Aroeira no site 247)

Mindinho Veríssimo
ResponderExcluirOs neoconservadores na conserva estão esperando um novo messias, precisam de um sempre.
M Christina Fernandes
ResponderExcluirMindinho Veríssimo, Collor, Moro, Jair, todos sendo desmascarados ao longo da própria trajetória.
ResponderExcluirJorge Lúcio de Carvalho Pinto
Eu acho que o desfile da Acadêmicos de Niterói calou fundo na hipocrisia dessa oposição pobre de espírito que temos hoje no Brasil. Concordo com você que só alguém incapaz de rir de uma sátira genial crítica o enredo da escola de samba de Niterói. A ala dos Enlatados foi algo sensacional, assim como aquele carro que mostra o golpe perpetrado por essa gente que quer colocar o Brasil no seu bolso. Ah, não posse me esquecer do samba e sua letra impecável, contundente e elegante
ResponderExcluirSíndia Bonfiglio
Muito bom e esclarecedor texto
Obrigada!
ExcluirUm erro crasso do PT, não era para ter havido esse desfile. Soberba pura.
ResponderExcluir