Um desfile de lavar a alma

Se inveja matasse, os bolsonaristas estariam fulminados. Por enquanto, eles recorrem à Justiça, porém. Apesar das piores previsões de inelegibilidade ao presidente – antigo mal do capitão -, Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, da Acadêmicos de Niterói, abriu o Primeiro Grupo no domingo. Até agora ilesa... Fez a avenida transbordar de alegria – “sem anistia”, era o brado retumbante, apesar das Organizações Globo...

A comissão de frente contou a história recente do Brasil: Dilma Rousseff tem sua faixa presidencial “roubada” por Michel Temer, que a entrega ao personagem fantasiado de Bozo presidiário (foto). Que seguiu com “arminhas” na mão em meio a cruzes, símbolos do seu morticínio.

De lavar a alma.

TV Globo escorregou na parcialidade, ao tratar o desfile como algo ilícito, como se a alegria popular fosse pecado. Tanto que só começou a transmitir o desfile bem depois de seu início. Já o jornal impresso foi mais fiel à realidade. Citou a ausência de última hora no desfile por Janja, por precaução, mostrou Lula de branco observando o samba no pé do anfitrião e aliado, o prefeito Eduardo Paes, também de branco.

Agora, vamos combinar. Desde sempre os enredos das escolas de samba contam histórias. Quer história mais saborosa do que a do garoto que passou fome e brigou, brigou, até virar líder popular? A faixa de Getúlio Vargas, alçado a Pai dos Pobres em suas duas gestões graças às leis trabalhistas é passada a Lula, que nos tirou do Mapa da Fome de Bolsonaro.

A Imperatriz não celebrou Ney Matogrosso e a Mocidade, Rita Lee,  ambos, como Lula, merecedores?

A comparação entre os presidentes não pode ser mais ingrata. O que fez Bolsonaro, senão se exibir em motociatas e brecar a compra das vacinas que poderiam ter evitado 700 mil óbitos na pandemia? E o filhinho, que ele indicou como representante da direita para concorrer à presidência este ano?

Rachadinhas, loja de chocolate, compra de mansão de R$ 5,7 milhões sem que tivesse vencimentos para tanto, bajulação de milicianos, privatização de praias, explosão de embarcações na Baía de Guanabara? Tudo isso com uns óculos que lhe dão ar do intelectual que ele jamais foi?

Da luta sindical/ à liderança mundial/ Vi a esperança crescer e o povo seguir sua voz/ revolucionário é saber escolher seus heróis/ Zuzu Angel, Henfil, Vladimir que pagaram o preço da raiva/ Nós ainda estamos aqui no Brasil de Rubens Paiva,” diz o samba de nove autores distintos.

Agora é torcer para a Acadêmicos, recém saída da Série Ouro para o Grupo Especial, se manter por cima da carne seca, como a sua fonte de inspiração.


Comentários

  1. Cesar Pinho
    Sensacional. Saboroso nos deliciar em um texto como esse seu, tão inspirado como o enredo e o samba da Acadêmicos.
    A escola mostrou coragem no desenvolver do enredo no desfile no Sambódromo (Brizolista, diga-se de passagem).
    Agora só falta que as notas dos jurados tenham sido suficientes para que o povo brasileiro assistam novamente o espetáculo da Acadêmicos no desfile das campeãs e dê a chance a TV Globo de se redimir do grave erro de avaliação, ou então que permita a emissora reafirmar sua postura de direita e de apoio ao movimento neonazista mundial.
    Parabéns amiga, perfeito.

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  2. Tania Rodrigues
    Perfeito, como sempre, seu texto " carnavalesco ".

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  3. Francimar Galvaosoares
    Imagem com texto: "Flávio critica desfile pró-Lula, mas tem outdoors que exaltam o seu nome AGORAÉ FLAVIO BOLSONARO DEUS PÁTRIA, FAMILIA E LIBERDADE o senador Flávio critica homenagem Lula na Sapucaí, mas acharia normal outdoor, em Manaus, exaltando sua pré- candidatura, que proibido pelo TSE Pré-candidato da extrema-direita ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que vai acionar 0 TSE contra o desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou à Marquês de Sapucaí um enredo sobre a trajetória do presidente Lula (PT)."

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  4. Carlos Minc
    💪🏾💪🏾🪘🪘🎷🎷🌏🌏🙏🏼🙏🏼💚💚🎸🎸💃🏿💃🏿🪗🪗

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  5. Jorge Lúcio de Carvalho Pinto
    Foi um grande desfile: simples, satírico, alegre, despojado, autêntico e elegante

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