Uma distopia para Gaza
A primeira vez em que ouvi a expressão "Janela de Overton", pelo jornalista Pedro Dória, aprendi que, na época, ela se referia à tentativa da extrema direita de desmentir o Holocausto, no início do governo Bolsonaro, quando se buscavam soluções contra as fake news e à propaganda bolsonarista.
A teoria, criada por Joseph Overton (1960-2003), mostra como
a opinião pública pode ser manipulada em etapas, com a naturalização de uma ideia antes
considerada absurda. Agora, vemos Benjamin Netanyahu fazer com os palestinos da Faixa de Gaza o que os alemães fizeram aos
judeus.
Ontem, me
deparei com a impressionante informação da jornalista Dorrit Harazim, de que o Museu
Britânico – com suas centenas de anos de pilhagens -, removeu o termo “Palestina”
de parte do seu acervo sobre o Oriente Médio. Os textos, mapas e painéis alterados
estão na ala que inclui os territórios do antigo Levante e do Egito anteriores
à Era Cristã. Ali, a costa leste do Mediterrâneo chamava-se Palestina e abrigava
os povos de origem palestina.
Agora, o lugar passa a se chamar Canaã, com povos de origem cananeia. Canaã é a região formada pela Palestina, Israel, Síria e Jordânia. Pelo Velho Testamento, Canaã é a terra prometida por Deus aos judeus.
Não por acaso, a mudança ocorre quando Trump inaugurou o Comitê da Paz, com o principal objetivo de esvaziar a ONU, razão pela qual não contou com a adesão de países europeus. O próprio Brasil continua em cima do muro.
Outra motivação do republicano seria transformar Gaza num segundo Caribe (imagem). Seriam
construídos na região 180 prédios de apartamentos, em diversas zonas
residenciais – a maioria com vista o para o mar -, além de complexos
industriais, parques, instalações agrícolas e esportivas.
Era justamente ali que
ficava a Cidade Velha que abrigava a grande mesquita de Omari, importantes marcos culturais
palestinos.
Tudo passaria
a exibir padrões norte-americanos, velhos conhecidos de Trump. “No
fundo, sou um incorporador imobiliário e o importante é a localização. Vejam
essa localização em frente ao mar, vejam deste belo terreno, o que ele pode se
tornar para tantas pessoas”, ele exultava, ao anunciar seu plano de paz para
Gaza, dizimada pela ocupação israelense desde 2023, após o sequestro do Hamas. Cujos reféns passaram a café pequeno nessa história de destruição.
As 400 mil
novas moradias, classificadas como “comunidades seguras alternativas” seriam um
grande Big Brother, com seus moradores controlados pelo monitoramento
biométrico de Israel (reprodução).
Território distópico, de fazer inveja a George Orwell.
A ideia da Janela de Overton é indiretamente lembrada por Dorrit, no exemplo da libertação do campo de concentração nazista de Ohrdruf pelo general
Eisenhower, em abril de 1945: “Registrem tudo agora. Filmem tudo. Pois, em algum
ponto da História, algum canalha dirá que isso jamais
aconteceu.”
O que Trump
quer fazer com Gaza é mais do que acabar com a guerra: é apagar a história do
povo palestino. E faturar alto com isso.

Mindinho Veríssimo
ResponderExcluirTriste, e no final sempre aparece dinheiro na jogada.
Carlos Minc
ResponderExcluir😟😟🤔🤔😟😟
🌻🙏🏼🎷💃🏿🪂🌴🌏💥🪘💪🏾😍