Os reis das "rachadinhas"
Depois
que deixou de ser vereador, há dois meses, após 25 anos, para se candidatar ao
Senado por Santa Catarina, Carluxo voltou a ser alvo de investigação pelo MP-RJ
pela prática de “rachadinhas”. A decisão de reabrir o caso foi da
Procuradoria-Geral da Justiça (PGJ), para a qual a apuração anterior deixou de
cumprir avaliações essenciais. O arquivamento, pelo próprio MP-RJ, ocorreu em setembro de 2024, quando
sete funcionários do gabinete haviam sido denunciados por peculato.
Segundo
a denúncia, Jorge Luiz Fernandes, então chefe de gabinete, teria comandado o esquema entre 2005 e 2021, período em que foram arrecadados cerca de R$ 1,9
milhão, que teriam sido devolvidos por funcionários do gabinete. Fernandes
ainda trabalha na Câmara Municipal, no gabinete de Alana Passos, herdeira do
cargo do ex-vereador após sua renúncia.
A
nova apuração investiga como o filho 02 pagava seu plano de saúde. Em nove anos
de contratação, ele só quitou um boleto em sua conta bancária. Outro alvo é a
compra, em 2009, de um apartamento em Copacabana, por R$ 70 mil declarados por
Carlos, valor considerado baixo à época pelo mercado.
E, como se
sabe, a mesma prática era familiar ao irmão Flávio, notícia que voltou
a circular depois que seu pai o indicou a nome da direita para
disputar as eleições de 2026. O auge de seu processo ocorreu em 2018,
quando relatório do Coaf levantou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na
conta do ex-assessor Fabrício Queiroz, quando Flávio era deputado no Rio.
Quem não se
lembra do bordão “onde está Queiroz?”, na época em que o desaparecido assessor
foi encontrado na casa de Frederick Wassef, advogado de Bolsonaro, em Atibaia
(SP)?
Os
promotores apuraram que os recursos do gabinete seriam lavados na loja de chocolates
em um shopping no Rio e na compra de 37 imóveis em espécie, além do pagamento
de despesas pessoais. Em 2020 Flávio e outros 15 foram denunciados pelo MP por
organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e apropriação indébita. Só
que em 2021, a 5ª Turma do STJ anulou as decisões da Justiça do Rio ao acolher o
recurso da defesa do já senador.
A prática,
porém, foi inaugurada pelo papai. Quem teria começado o esquema nos escritórios
de Jair Messias, Flávio e Carlos seria o ex-assessor Waldir Ferraz, segundo Ana
Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro e mãe de seus três filhos mais velhos.
Áudio da ex-cunhada do capitão, Andrea Siqueira Valle, diz que ele demitiu o
assessor André Siqueira Valle por este não ter lhe devolvido o total do valor
combinado.
Outro nome
que veio a tona nesse processo foi o de Walderice Santos da Conceição, a famosa Wal do
Açaí, ex-secretária parlamentar de Bolsonaro que nunca apareceu na Câmara dos
Deputados, em Brasília. Ela cuidava de seus cachorros na casa em Angra dos Reis.
Em matéria
de calhordices, como se vê, o clã é sem
dúvida imbatível.

Quem quiser se informar melhor a respeito do tema de hoje deste blog, indico um livro, aliás fundamental recordar nestes tempos que estamos vivendo:
ResponderExcluir"O negócio do Jair". A autora deste livro é a Juliana Dal Piva.
Já li, excelente. Estou cercafa por 2 frentes: o facebook me censurou e estou desde a tarde de domingo sem luz e sem internet
Excluir