Quando o aqui e agora urge


Nesse ano eu setento. Dá para dizer que os prazos já diminuem e a finitude se escancara. Que os projetos futuros têm de ser o mais perto possível do presente – senão não dará tempo para vivê-los. A constatação não é das melhores. Porém, real. Não há mais tempo para errar, a contagem passa a ser regressiva. O aqui e agora urge.

E, como tenho acompanhado a política muito de perto, simpatias e asco são movidas pelo olhar de quem é capaz de realizar. Ou não. Tipo assim: poderia até achar que Lula já fez o bastante pelo Brasil. No entanto, não há dúvida de que ele é o único capaz de nos livrar do pesadelo de uma volta da extrema direita ao poder. Vemos no que está dando o segundo mandato de Trump...

Não tenho dúvidas de que Lula é o nome certo para a próxima presidência do Brasil. Neste terceiro mandato – até agora o único brasileiro a exercê-lo -, ele conseguiu reduzir um pouco (a tarefa ainda é árdua) nossa crônica desigualdade. Saímos do Mapa da Fome, no qual entramos com Bolsonaro. 

Ao contrário do movimento do ex-presidente, que turbinou inscrições e valores pela reeleição - sem vergonha de pegar carona em projeto alheio -, Lula já reduziu em 2,7 milhões os beneficiários do Bolsa Família. Porque suas políticas públicas são criadas para melhorar a vida dos brasileiros. 

Quando olho para o meu umbigo, às prioridades que trariam alívio à minha vida pessoal, é de chorar. Entre 2023 e 2024 me vi obrigada a ir frequentemente a São Paulo para assistir um sério problema de saúde do meu marido – com quem estou casada há 31 anos, sendo que nos últimos 10 ele passou a trabalhar em São Paulo e a vir para o Rio nos fins de semana.

Pois não há tragédia maior do que depender dos ônibus Rio-São Paulo. Se há vantagem em comprar passagem na hora na rodoviária, não é raro a viagem interestadual durar o tempo de uma interoceânica. Mais de um vez levei mais de 10h para chegar ao meu destino. E meu marido, que fazia a viagem de moto (apesar de ser um excelente piloto, o entorno é um risco insuportável), ele agora também depende do nefasto transporte.

É inacreditável que até hoje o deslocamento entre as duas principais capitais brasileiras ainda enfrente esse tipo de atraso. Vi que o trem-bala Rio-São Paulo deve chegar em 2032. Se chegar, será que ainda estaremos vivos e necessitados desse tipo de deslocamento?

O outro ponto é diretamente ligado ao governador miliciano (foto, até quando?) escolhido por cariocas e fluminenses, que voltará a ser julgado hoje pelo TSE pela compra de votos na sua reeleição (corre que ele já tem voto de juiz corrupto para pedido de vista). Tenho uma filha que mora na Gávea – a urgência são os netos, que passaram a colorir minha existência. E não há como calcular o tempo gasto em transporte público. Antes, o metrô de superfície que saía da Antero de Quental já era ruim, agora o tempo do micro-ônibus que segue até a Rocinha é uma eternidade.

Se os moradores da Gávea não são valorizados, os da Rocinha, menos ainda. E a previsão são mais três anos de obras – numa estação que já estava bem adiantada, parou por 10 anos e foi retomada em 2025, após quatro prazos vencidos. Para quem matou 117 em operação policial sem nenhuma continuidade, não espanta saber que o prazo para a nova estação é julho de 2028 – enquanto em São Paulo novas estações são erguidas em meses.

Isso sem falar na isenção de impostos aos vinhos europeus, que só deve ocorrer em oito anos, isso se o acordo com o Mercosul for mantido...

Torço para conseguir acompanhar bem de perto o crescimento dos netos nos próximos anos. E ainda contar com o trem-bala para uso emergencial. Porque, a partir da fase que vou entrar, qualquer demora maior pode ser fatal






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