Uma guerra de egos



 Ontem o planeta ficou mais inseguro. Mais uma vez, por uma iniciativa dos EUA e do aliado Israel, de atacar o Irã, estrategicamente planejado para este momento de fraqueza do regime do já falecido líder, Aiatolá Khamenei. Sob o falso pretexto de estancar o programa nuclear do país.

A ação militar se deu sem consulta ao Congresso, o que é inconstitucional, e não acontece pela primeira vez nos EUA.

Ao que parece, trata-se de uma cortina de fumaça às investigações do Caso Epstein, que a cada momento ameaçam mais o presidente norte-americano, à decadência da liderança dos EUA em relação à China e à crescente impopularidade do republicano, em ano de eleições no Congresso.     

De consequências sísmicas ainda imprevisíveis.

O que já se tem de concreto são as 201 mortes e os 750  feridos até a noite de ontem nas províncias iranianas causadas pelos intensos bombardeamentos, conforme levantamento do Crescente Vermelho daquele país. Além do fechamento do estreito de Ormuz, o que já provocou a subida do preço futuro do petróleo Brent - hoje perto de US$ 73 - a US$ 100.

No contra-ataque, um drone iraniano acertou um radar norte-americano no Barein. O Irã também disparou mísseis na direção de Israel e das bases norte-americanas no Kwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Barein e Jordânia. A pirotecnia da morte, festa da indústria bélica.

O objetivo declarado pelos EUA para o ataque é a troca do regime instalado em 1979 pela revolução islâmica, aparentemente hoje impopular no país – talvez não tanto quanto Trump nos EUA. Só que a morte de Khamenei pode não significar essa desejada mudança de regime.

O governo norte-americano avalia que a derrubada dos aiatolás poderia ajudar os republicanos nas eleições de novembro. Só que a capacidade iraniana de causar perdas humanas e materiais aos EUA e Israel faria o feitiço virar contra o feiticeiro, ao turbinar o nacionalismo persa.

Já Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, prometeu eliminar definitivamente o que chama de Eixo da Resistência financiado por Teerã, formado pelo Irã, Iraque, Líbano e Iêmen. E, mais uma vez, como em todos os conflitos em que se mete, adiar a sua própria queda.

Ou seja, mais que um ataque a um país, trata-se de uma verdadeira guerra de egos. Na qual quem sai perdendo é o mundo, porque as consequências – do conflito cuja extensão ainda é impossível de prever – vão sobrar para todos.

 (Com charge de Aroeira no site 247)









Comentários

  1. Leco Goes
    Essa é uma guerra que não tem mocinhos, só bandidos. E o pior deles é o Trump

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  2. Celeste Cintra
    Quem sai perdendo é o mundo.

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  3. Mindinho Veríssimo
    O Trump é tramp, já não parece que ele é quem manda, sempre e agora parece que quem manda é a "indústria do complexo militar" . `A quem interessa bombardear Irã, mesmo sabendo que até internamente não querem mais uma teocracia?

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  4. Lilian Fontes Moreira
    Gosto das suas análises, leio tudo! Obrigada

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