Como enterrar uma candidatura

 


Quando a Folha antecipou informações do plano econômico de Flávio Bolsonaro, eu já tinha ouvido falar sobre o projeto de indexar os reajustes das aposentadorias à inflação, e não ao salário mínimo, como é hoje. E a redução dos investimentos em Saúde e Educação.

Argumentos que enchem a vista não só da direita que o apoia, como dos principais jornais do país – como Estadão e Organizações Globo -, que já estariam fechados com o filho do capitão por esses e outros motivos.

Pois Flávio negou a reportagem, disse que eram fake news – às quais ele está tão habituado, como quando divulgou imagens da era de seu pai de gente comendo lixo, que atribuiu a Lula. Deve ter sentido na pele o peso eleitoral negativo...

Como aposentada que sou, eu perderia 2,98% dos reajustes anuais. Isso porque o aumento pela inflação seria de 3,90%, e o pelo salário mínimo, de 6,79%. Para quem já não consegue pagar as contas básicas, seria uma diferença mortal. Isso sem falar na redução dos investimentos em Saúde de Educação, que garantem os mínimos direitos democráticos.

A reportagem da Folha detalhou os planos nefastos do candidato de Bolsonaro: as aposentadorias e benefícios sociais passariam a ser ajustados apenas pela inflação. O salário mínimo deixaria de ser parâmetro para esses reajustes.

E mais. Hoje, os pisos constitucionais da Saúde e da Educação são vinculados a percentuais da arrecadação, e deixariam de acompanhar o crescimento da receita. Os investimentos nos setores também seriam congelados em termos reais.

Mudanças que exigiriam alterações na Constituição e dependem da aprovação do Congresso – sujeito a um expressivo aumento da direita em 2027.

O objetivo do senador – que jamais foi conservador com suas próprias contas, engordadas com rachadinhas e maracutaias que viabilizaram a compra de sua mansão de R$ 6 milhões em Brasília, sem remuneração correspondente -  é reduzir as despesas públicas a cerca de 2% do PIB.

Para quê? Melhorar a confiança do mercado, o mesmo que se alia ao crime organizado para turbinar seu lucro.

Quando os planos chegaram ao jornalão, Flávio tirou o corpo fora. Ele pode não primar pela inteligência, mas burro não é: quem, em uso da razão, poderia votar num candidato que quer reduzir direitos sociais, é filho e seguidor de um golpista e promete fazer o mesmo se perder as eleições?

(Com charge de Aroeira no site 247)

Comentários

  1. Respostas
    1. No Globo de hoje eles já aprimoraram a estratégia, citando apenas "corte amplo de gastos inspirado em modelos liberais e autonomia para a equipe econômica. Propõe renegociação de dívidas, mas admite evitar detalhamento para não virar alvo", justamente o que fizeram com a Folha e viram ser um tiro no pé.

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  2. Carlos Minc
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