O império do crime organizado

 


Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, precisa livrar de vez o mercado brasileiro da infiltração do crime organizado. Suas reações, porém, têm sido tímidas – como se viu na  CPI do Crime Organizado, onde ele não admitiu o caminho aberto à ilicitude por Roberto Campos Neto.

Que passou a expor o país às retaliações dos EUA, de classificar o PCC e CV como organizações terroristas e abriria as portas do Brasil a ações militares do Tio Sam. E, apesar das operações da PF, o BC mantém quase todas as condições de Campos Neto, que contribuíram para a proliferação do crime organizado no mercado.

Em setembro de 2019, o governo Bolsonaro enviou ao Congresso o PL 5.387, a lei do novo marco legal do câmbio, regulamentada em dezembro de 2022, que retirou dos bancos a responsabilidade compartilhada fixada desde 1962, na Lei nº 4.131. Com ela, as empresas e pessoas físicas podem operar diretamente no mercado de compra e venda de moedas, além de serem simplificadas as transferências internacionais.

O efeito foi devastador para as investigações da PF, que constatou uma “cegueira deliberada” para irregularidades do mercado de câmbio e para a lavagem de dinheiro pelos bancos. A legislação tirou da PF o principal argumento que atribuía a funcionários dos bancos os crimes de evasão de divisas e gestão fraudulenta.

Entre os principais bancos diretamente beneficiados estavam o Master e a Travelex Banco de Câmbio do Santander. O esquema envolvia lavagem de dinheiro do PCC e financiamento do Hezbollah, com  R$ 61 bilhões movimentados em quatro anos via compra de criptoativos, como USDT e bitcoin.

Roberto Campos Neto, então diretor de câmbio do Santander, também foi diretamente beneficiado pelo PL 5.387, já que, pela legislação anterior, ele poderia ser indiciado.

Quando a obrigação dos bancos deixou de existir com a lei, o crime também deixou de existir. Fintechs deixaram de ser submetidas ao mesmo rigor regulatório dos bancos, um atrativo à entrada do crime organizado. 

Já a Operação Carbono Oculto detectou a movimentação pelo PCC de R$ 52 bilhões, entre 2020 e 2024, via fintechs próprias, corretoras de valores de cerca de 40 fundos de investimento que ocultavam o patrimônio do tráfico.

O BC só reconheceu o problema em agosto de 2025, quando a Receita publicou a Instrução Normativa 2.278/2025, que equiparava as fintechs aos bancos para fins de fiscalização e combate à lavagem de dinheiro. A reação imediata à medida foi comandada por Nikolas Ferreira, que apontava riscos de “excesso de monitoramento”. Ah bom...

Com isso,  Gabriel Galípolo, limitou-se a atribuir os problemas à defasagem estrutural do BC, que comprometiam sua capacidade de fiscalizar o sistema financeiro. Quando, na prática, foi o liberou geral às fintechs.

Para piorar, a norma exige que a informação chegue à Receita, mas não resolve a capacidade do Estado de processá-la, investigá-la e agir sobre ela em tempo útil. O que deixa o BC de mãos atadas. E assim, o crime organizado continua a operar livremente na Faria Lima e no mercado financeiro,

(Fonte: Luis Nassif)

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