Preso avalizou compra da mansão de Flávio
A prisão preventiva pela PF ontem do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, levantou outra questão. Foi Costa quem avalizou o financiamento de R$ 5,9 milhões a Flávio Bolsonaro para a compra de sua mansão no Lago Sul (foto), numa das áreas mais nobres de Brasília.
Em 2021, o BRB liberou R$ 3,1 milhões para a compra do imóvel, avaliado em R$ 5,97 milhões, financiado com juros camaradas entre 3,65% e 3,71% para o imóvel com
cerca de 2.400m² e piscina. Na época, o banco
alegou que a operação seguiu os padrões normais, apesar das vantagens, do perfil do
comprador e da exigência de passar pelo crivo da direção.
A transação voltou a ser questionada em julho de 2024, quando o senador quitou o saldo devedor com estranha rapidez.
Ele pagou R$ 3,4 milhões em seis prestações, valores que chegaram a R$ 997
mil em uma única parcela, que
extrapolavam os seus vencimentos.
A quitação ocorreu, ainda por cima, após o STF anular as provas do caso das rachadinhas por questões processuais. O filho 01 afirma que os recursos eram provenientes da sua antiga franquia de chocolates e de sua renda. Só que a rapidez e os valores dos pagamentos deixaram dúvidas no ar.
E, em se tratando de aquisição de imóveis, é inevitável lembrar de Fabrício
Queiroz, ex-policial militar e amigo de Jair Bolsonaro, hoje subsecretário de
Segurança de Saquarema, nomeado pela prefeita Lucimar Vidal (PL).
O MP apontou Queiroz de ser o operador financeiro do esquema de
rachadinhas no gabinete de Flávio na Alerj. Ele coordenava o dinheiro desviado de assessores, criava um caixa em espécie
que abasteceria despesas pessoais e operações patrimoniais, como a compra e
venda de 19 salas – entre elas a loja de chocolate Kopenhagen - e apartamentos.
O fluxo de dinheiro em espécie pode ter alimentado transações imobiliárias que
transformavam recursos ilícitos em ganhos que pareciam legítimos. Os imóveis seriam
adquiridos por valores inferiores aos reais nas escrituras e a diferença era
quitada por fora, em dinheiro vivo e depois revendidos por
preços de mercado. O que permitiu a Flávio acumular lucros extraordinários entre 2010 e 2017.
A investigação da PF na Operação Compliance Zero, ontem em sua quarta
fase – que também prendeu o advogado Daniel Monteiro, suposto responsável
jurídico pelas negociações -, apura um esquema de lavagem de dinheiro para
pagamento de propina a agentes públicos em negócios com o Banco Master.

As digitais de Flávio estão em todo o crime organizado, mas as pesquisas mostram como brasileiro gosta de votar em bandido.
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