Ramagem: fiança ou deportação?

 


A polarização política que ainda impera no Brasil foi capaz de transformar a prisão de Alexandre Ramagem – integrante do núcleo crucial golpista, com condenação transitada em julgado a 14 anos de prisão -, em santinho de pau oco que apenas cometeu uma infração qualquer de ordem burocrática.

Para bolsonaristas como ele, Ramagem merece, ao invés de estar detido entre quatro paredes e uma grade, aproveitar a vida em Orlando numa casa de frente para o lago, com cinco quartos, avaliada em R$ 4,5 milhões. Ele é tão bonzinho...

Pois foi a colunista Míriam Leitão que achou o caminho das pedras. O serviço de imigração dos EUA e autoridades brasileiras souberam da detenção do ex-diretor da Abin por um delegado brasileiro lotado no ICE, que procura foragidos da Justiça entre imigrantes ilegais. Como é Ramagem.

Como se sabe, ele fugiu por Roraima antes de ser condenado, onde sua mulher é procuradora do Estado. Ainda por cima, com ajuda de garimpeiros, o que agrava sua situação. A PGR de Roraima informa que Rebeca Teixeira Ramagem está de férias – longas para quem deixou o país em setembro de 2025.

“Nós, brasileiros, não estamos atrás de brasileiros ilegais. Estamos sim de brasileiros foragidos da Justiça. Se o cara está nos EUA de maneira ilegal, é problema para as autoridades americanas. Neste caso do Ramagem, ele é um foragido”, crava outro brasileiro que trabalha num órgão norte-americano, assim como há gringos que atuam por aqui no setor. Ou seja, a colaboração independente de ideologias.

Para a falta de sorte para infratores como Ramagem e Carla Zambelli, que também se achou acima de qualquer suspeita ao fugir para um país liderado pela direita, como são a Itália e os próprios EUA, ambos foram parar na prisão.

E, para as autoridades norte-americanas, a detenção de Ramagem nada tem a ver como os crimes cometidos por ele no Brasil, pelo uso da máquina pública para investigar adversários, parte dos planos para o golpe. Seu vacilo foi usar passaporte vencido para alugar um carro.

Agora, o ex-diretor da Abin será levado a um juiz, que pode soltá-lo mediante fiança, ou decidir pela deportação. Nesse momento, ele pode ser beneficiado por algum juiz apoiador de Donald Trump. Ou então verá o sol nascer quadrado no Brasil.

No mais, Lula confirmou ontem em entrevista a veículos progressistas que será, sim, candidato à presidência este ano, ao contrário do que divulgou o aliado Ricardo Kotscho.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tenta enganar os trouxas com gente comendo lixo na gestão do seu pai, em imagens atribuídas por ele ao governo Lula.   

 

 

 

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