Reunião que entrega ouro ao bandido
A lembrança da colunista Miriam Leitão não poderia
ser mais oportuna: hoje fazem seis anos daquela fatídica reunião ministerial (foto) em
que, graças ao ministro Celso de Mello, soubemos o que seria o governo
Bolsonaro: uma tentativa de destruir a democracia por dentro, como fez Viktor
Orbán.
Vivíamos o início da Covid-19 e o presidente já havia afastado o
ministro Luiz Henrique Mandetta, que poderia ter aplacado nosso doloroso saldo final
de 700 mil mortes. O desministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, propunha
passar qualquer legislação ambiental pela porteira quando as atenções da mídia se
voltavam para a pandemia.
Me lembro de contar 43 os palavrões proferidos naquela reunião pelo então presidente, fora o anúncio de que pretendia mexer na PF antes que ela “fodesse” toda a sua família. E os filhos são os seus mais incondicionais seguidores e sempre deram todo o suporte ao permanente golpismo.
Agora, a direita se assanha com Flávio – o sobrenome estigmatizado tem sido subtraído –, diante da promessa de cortes no salário mínimo, nas aposentadorias ou, da manutenção da escala 6X1. E a espera de um “Posto Ipiranga” – como o do pai, que não cumpriu o que prometeu – encobre o maior dos riscos: a continuação da nossa democracia. Algo inquestionável para Lula.
O filho 01 já anunciou que anistiará o pai e todos
os golpistas. Disse em entrevista à Folha, com todas as letras, que se o STF
decretar a inconstitucionalidade da anistia dará um golpe. Ou seja: suas
intenções são claras como água.
Como definiu Miriam Leitão, o governo Bolsonaro foi
um crime continuado. "Ele ameaçou as instituições desde o começo e nesse propósito permaneceu até após o
último dia, coerente com o que sempre falou e fez na sua vida pública”.
E, como se não bastasse a ameaça concreta que Flávio representa, até hoje o seu único projeto conhecido no Senado foi o de privatizar praias, felizmente rechaçado por seus pares.
Se aquela reunião deixou alguma dúvida sobre as
reais intenções de Bolsonaro, seu governo foi uma sequência de tentativas de
golpe. Que continuam, com a proposta de anistiar o ex-presidente e os golpistas,
e de apelar a toda sorte de fake news para atacar o adversário.
Chegaram ao cúmulo de postar imagens do governo anterior de gente comendo lixo e atribuí-las a Lula, justamente quem retirou o Brasil do Mapa da Fome, no qual Bolsonaro fez o favor de nos introduzir.

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