Um assassinato já foi confirmado

 


Pouco após completados os 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) sustenta que o ex-presidente foi morto em 1976 pela ditadura, e não vítima de um acidente automobilístico, como foi concluído na época pelo regime e repetido pela Comissão Nacional da Verdade.

O texto, da historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso da morte de JK na CEMDP, é uma reviravolta no caso investigado há décadas e será votado no próximo encontro dos conselheiros do grupo. Tudo indica que será aprovado.

Em dezembro de 1992 veio à tona a existência da Operação Condor, uma colaboração entre as ditaduras da Argentina, Brasil, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai, quando denúncia anônima no Paraguai revelou o conteúdo "Arquivo do terror".

Trabalhava na revista IstoÉ e eu e meus colegas nos dividimos entre investigar as controversas mortes de JK, João Goulart e Carlos Lacerda, políticos que formaram a Frente Ampla contra a ditadura militar, todas quase simultâneas.

Me coube Carlos Lacerda (1914-1977). A partir dos contatos sugeridos por um primo que havia trabalhado com o ex-governador do Rio de Janeiro – um expoente da então direita civilizada (ao contrário da atual), que entrou na política pelo PCB, foi da conservadora UDN, era anti Getúlio Vargas  e criou o magnífico Aterro do Flamengo.

Conversei com a filha de Lacerda, que de fato não via explicações convincentes para a internação na Clínica São Vicente, onde seu pai entrou gripado e saiu morto, fui encaminhada a outras fontes e daí a mais outras. Passei o dia inteiro e a metade do dia seguinte pendurada ao telefone e todos com quem falei questionavam a morte suspeita.

Até que cheguei a uma mulher, com quem Lacerda teve tanta intimidade que se disse sua amante e confidente, para minha surpresa. O fundador do jornal Tribuna da Imprensa foi casado com Letícia Abruzzini, com quem teve três filhos. E alguns dos meus entrevistados também mencionaram sua bissexualidade, para meu espanto.

Pois a amante fez questão de ir à IstoÉ, mostrou seu rosto e sustentou não apenas seu caso com Lacerda, como sua certeza de que ele fora assassinado. Gostaria de repetir aqui seu nome, já que ela não hesitou em revelá-lo, porém, além de não me lembrar mais, não consegui encontrá-lo em pesquisas avançadas de Inteligência Artificial...

Furos jornalísticos – como a compra de uma mansão de R$ 8 milhões no condomínio Portobello por Cláudio Castro, logo que renunciou ao governo do estado do Rio, revelado aqui na última segunda-feira – são sempre saborosos, tanto para quem escreve quanto para quem lê...

Só lamento até hoje não ter conseguido assistir à ficção investigativa "Conspiração Condor", filme lançado esse ano por André Sturm, de uma maneira quase secreta.

 

 

 

Comentários

  1. O único que tenho dúvidas, é o Juscelino, morto num acidente entre um automóvel e um ônibus. Os outros dois, certamente foram assassinados.

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  2. Mindinho Veríssimo
    Meu caro, a informação do post não é nova. Novos tinham sido os furos que dei na semana e na IstoÊ...

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  3. Carlos Minc
    🤔🤔🤔😟😟😟🫩🫩🫩
    💃🏿💃🏿💪🏾💪🏾💥💥😍😍🚴🏽‍♀️🚴🏽‍♀️🙏🏼🙏🏼🎸🎸🌴🌴

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