Incerteza ronda nossas terras raras
Nossas terras raras, um dos temas a ser discutido no encontro que começa
hoje de Lula com Donald Trump, estão mal paradas. A intenção do governo era já
chegar nos EUA com o PL que cria a política nacional dos
minerais críticos e estratégicos aprovado no Congresso.
Ontem foi aprovado na Câmara e ainda terá que passar pelo Senado. E sequer
cogita a criação da Terrabras – como foi a Petrobras nos anos 1930 – que de
fato protegeria o setor.
O texto do
relator Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) amplia isenções fiscais ao setor mineral
e flexibiliza regras de licenciamento ambiental. Não garante, porém,
contrapartidas em desenvolvimento tecnológico ou industrialização. Os críticos
alegam que o PL favorece grandes mineradoras e pode aumentar a dependência
externa em setor vital no século 21.
Para
piorar, na semana que vem desembarca em Brasília uma delegação de assessores
norte-americanos – com técnicos e assessores, inclusive da Comissão de Relações
Exteriores do Senado dos EUA - para discutir como se dará o acesso aos minerais críticos brasileiros.
E, conforme o ICL, há um problema extra neste grupo, porque ele será
liderado por Darren Beattie (na foto com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo), o mesmo que já teve revogada a autorização de entrar no
Brasil quando o governo soube que ele pretendia visitar Bolsonaro na cadeia.
A
trajetória de Beattie é recheada de polêmicas, pela sua simpatia ao racismo e à misoginia. Ele foi escolhido por Trump no início do ano para liderar os contatos
entre os dois países e mentiu para tentar conseguir o visto para o Brasil.
Sua empresa de comunicação, a Revolver News,
é especializada em difundir fake news e teorias
conspiratórias. Entre elas, a de que os ataques contra o Capitólio no 6 de
janeiro de 2021 foram realizados por agentes federais.
Como se
sabe, as terras raras integram o grupo conhecido como minerais críticos, entre
eles, o lítio, o cobalto, o nióbio, níquel e o grafite, essenciais para
baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e
semicondutores.
Cerca de
70% da produção global de terras raras está na China, onde fica a principal
mina do mundo, a Bayan Obo. O Brasil tem
a maior reserva de nióbio do mundo, é o segundo em reservas de grafite e em
terras raras, com 21 milhões de toneladas, e o terceiro maior em reservas de
níquel.
Mais uma
vez, podemos estar a mercê de uma ação neocolonial para usurpar nossas
riquezas.

Pretender que um grupo de onde participa Eduardo Bolsonaro, defenda algum interesse do Brasil, é mais do que ingenuidade.
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