Pêndulo eleitoral volta a oscilar

 


Quando se fala em golpe no Senado, não se trata da rejeição a Jorge Messias para o STF ou à queda do veto de Lula à dosimetria. Uma das tramas na Casa é o lançamento do deputado André do Prado (PL-SP, na foto) ao Senado. Se Flávio se eleger, Prado pode virar ministro ou secretário enquanto seu suplente, Eduardo Bolsonaro, assume sua vaga.

A estratégia malandra, aceita pela legislação, porém, originou uma crise de nervos em Bolsonaro. Seu nome para o senado era o do coronel Mello Araújo, vice-prefeito de São Paulo. E André do Prado, atual presidente da Alesp, é do Centrão – a quem Bananinha tanto atacou e agora se alia.

O chilique do Inelegível resulta da escolha significar, na prática, sua perda de comando sobre o seu próprio grupo.

Sabemos que o filho Carlos é outro escalado na busca do clã pelo domínio do Senado. Carluxo abriu mão de 25 anos de vereância no Rio para concorrer à Casa por Santa Catarina. Apesar do perfil bolsonarista do estado, o filho 02, no início bem contado, agora sofre alta rejeição pela preferência à bolsonarista Caroline de Toni e ao senador Espiridião Amin.

Quem tem as maiores chances de se eleger no senado é Michelle, até agora bem avaliada nas pesquisas de opinião. Marginalizada, porém, pelo próprio clã. Havia quem achasse que seu nome teria as maiores chances na corrida presidencial. Seu marido, contudo, preferiu indicar o filho 01, pela certeza de que só um puro sangue o livraria da cadeia.

E, em relação a Dudu, há um temor geral de que ele possa ser preso ao desembarcar no Brasil, pelo seu criminoso desempenho de incentivar o tarifaço de Donald Trump em troca da liberdade ao papai. Agora, os bolsonaristas devem estar de cabelo em pé pela ‘química’ do encontro do líder americano com Lula nesta semana.

Se a situação parecia fora de controle para o governo após o revés da indicação de Jorge Messias ao senado e da queda do veto de Lula à dosimetria - promulgada ontem por Davi Alcolumbre e já contestada por ações de inconstitucionalidade da ABI e do PSOL - algo já começa a mudar.

É possível que Alexandre de Moraes, já sorteado como relator, rejeite as ações, por ele ter participado da proposta da dosimetria junto a Paulinho da Farsa. Por outro lado, como se sabe, ele foi o maior algoz no julgamento dos golpistas.

E, enquanto isso, Lula recupera espaço após os resultados positivos do encontro com o republicano.

Política externa não elege ninguém, entretanto, a aclamação mundial a Lula como exemplo de estadista vem em boa hora. Assim como a operação da PF que mostrou a mesada milionária do trambiqueiro Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira para que este representasse seus interesses no Brasil.

Recentemente, Flávio declarou que Ciro seria o “candidato dos sonhos” a vice em sua chapa presidencial. Está gravado. Não há como desmentir. O pêndulo eleitoral volta a oscilar...

 


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