Enterro de uma candidatura esdrúxula

 


Passei os últimos dois dias fora de combate, nocauteada pela falência da bateria do meu laptop. Se estivesse na ativa, teria escrito sobre a censura de Kássio Nunes Marques, que vestiu sua camisa de bolsonarista e proibiu a circulação da pesquisa Atlas-Intel, atestando o derretimento de Flavinho.

Não há de ser nada, outras virão. Hoje mesmo sai uma da Quaest, já com efeito PIX e tarifaço.

E ontem me deparei com mais uma pérola do Intercept que, após a Vaza Jato e durante a Vaza Flávio, volta a prestar inestimáveis serviços à nossa democracia. Diante da descrença do gado diante de todas as suas denúncias, dessa vez volta com recibos concretos dos pagamentos efetuados.

Segundo o repórter Paulo Motoryn, planilhas, contratos, comprovantes bancários e registros financeiros permitem reconstruir os caminhos do dinheiro para bancar “Dark Horse” (os produtores negam ter recebido dinheiro de Vorcaro, então para onde teria ido a bufunfa? E Mário Frias sumiu!)

A planilha “Funding Schedule” mostra o projeto de financiamento do filme: operação de quase US$ 24 milhões (R$ 134 milhões na época). Detalha os aportes previstos e os valores que seriam recebidos pelo fundo ligado à produção.

Conforme o cronograma, seriam 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, porém, as duas primeiras parcelas, de US$ 2 milhões cada, previstas para 20 e 25 de janeiro de 2025, foram de fato pagas em 13 de fevereiro e 24 de março daquele ano. As outras 12 parcelas, de US$ 1,66 milhão cada, começaram a ser quitadas em 24 de março. As outras duas caíram em 25 de abril e 29 de maio.

O documento mostra  que teriam sido recebidos no total US$ 10,6 milhões. Eu mesma não reproduzo aqui os documentos postados em Cartas Marcadas, do Intercept, mas estão lá, para quem quiser conferir.

A tabela dos pagamentos foi encaminhada em 7 de agosto de 2025 pelo empresário Thiago Miranda (dono da Agência Mithi e interlocutor do banqueiro com os Bolsonaro) a Daniel Vorcaro. Miranda faz a seguinte observação: “Duas em atraso (como foi informado em mensagem anterior) e está para vencer a terceira agora em agosto”. Resposta de Vorcaro: “Segunda fazemos as duas”.

Outro destaque é o comprovante da primeira transferência internacional pelo sistema SWIFT, em 13 de fevereiro de 2025, de US$ 2 milhões ao Havengate Development Fund LP, de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

O fato é que os bolsonaristas tentam transformar todas as informações sobre os vínculos entre os Bolsonaro e Daniel Vorcaro em falsas narrativas. Confiantes de que a Copa do Mundo exercerá seu papel anestesiante: transformar em mentiras fatos reais, como eles são tão habituados a fazer.

Perece óbvio que as relações promíscuas de Flávio e Vorcaro, somadas ao enterro do PIX e aos efeitos do tarifaço de Trump sobre o Brasil colados na testa dos Bolsonaro, enterrarão de vez essa esdrúxula candidatura da direita. As pesquisas dirão.

 

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