Aqui não, jacaré
Já sabemos que nem o céu é o limite para Donald Trump, depois que pediu, e conseguiu, reverter a suspensão de um jogador de futebol americano (só não escapou da derrota para a Bélgica). Ainda assim, assusta ouvir dele que as eleições no Brasil serão seu próximo alvo, após a Colômbia, Peru e Honduras tombarem para a direita.
Dois cientistas políticos, porém, atestam que nesse caso as coisas não são bem
assim...
Para Christian Lynch, há um “exagero político”
sobre a suposta influência do líder republicano nesse quadro. Primeiro, porque
essa alternância entre direita e esquerda é uma lógica das Américas. Nesse
momento a direita avança, sim, no continente, que vive um novo ciclo
conservador. Só que as ondas rosas sucedem as ondas azuis.
Entretanto, nenhuma analogia abarca o fenômeno chamado
Lula. A maior parte dos presidentes progressistas latino-americanos representa
coalizões ideológicas. Lula representa uma coalizão social, diferença decisiva.
O presidente brasileiro venceu três eleições
presidenciais, elegeu duas vezes sua sucessora, sobreviveu ao impeachment de Dilma,
à Lava Jato, à prisão, à destruição política do PT e ao avanço da
extrema-direita. Derrotou um presidente apoiado pela máquina estatal, pelo
Centrão, por militares, por boa parte do empresariado e pela extrema-direita
internacional.
Não há figura comparável na América Latina
contemporânea.
Donald Trump tenta se apresentar como arquiteto
dessa transformação continental. Reorientou estrategicamente os EUA para o
hemisfério ocidental com pressões diplomáticas, sanções, e passou a apoiar
candidatos alinhados à sua visão de mundo. Favorece governos
ideologicamente simpáticos a Washington, como a Argentina de Javier Millei.
Agora, a novidade está em transformar vitórias
eleitorais legítimas como se fossem peças de uma estratégia geopolítica. E a
questão é medir o peso efetivo dessa interferência. Só que o Brasil responde
sozinho por mais da metade da população e da economia da América do Sul.
A instituições brasileiras são mais robustas do que
a dos vizinhos. O país mantém tradição diplomática secular de autonomia
relativa. Mesmo em momentos de maior alinhamento internacional, raramente
aceitou a condição de satélite (como pretende Flávio Bolsonaro).
Já o cientista político Clifford Young, presidente
do Instituto Ipsos – uma das principais empresas mundiais de pesquisa -, assina
embaixo. Para ele, Trump simplesmente não é a razão do avanço da direita na
América Latina.
Fora do que, o líder republicano, cada vez mais
impopular em seu país e no mundo, vai estar muito ocupado para evitar seu
próprio impeachment nas eleições de novembro dos EUA.

Mindinho Veríssimo
ResponderExcluirQue Trump vá cuidar dos próprios problemas, aqui é Lula no primeiro turno.
Carlos Peixoto Filho
ResponderExcluirAplausos
Mindinho Veríssimo
ResponderExcluirQue o laranjão vá cuidar dos seus próprios problemas, que eles já têm bastante