Cercado de bandidos bandido seria?

 


Coincidências existem. Mas quando alguém se cerca de bandidos, dificilmente esse alguém não é bandido também. Seria o caso de Flávio Bolsonaro, cujo candidato ao Senado pelo Rio, Márcio Canella (na foto com Flávio e Castro), acaba de ser preso pela PF com um fuzil na mala do carro.

Era só uma busca e apreensão da sexta etapa da Operação Unha e Carne, que deu no que deu. A suspeita é de que Canella integre uma quadrilha que usa postos de combustíveis para lavar dinheiro. Como se sabe, o candidato de Flávio ao governo do estado, Rodrigo Bacellar, também está preso, agora em presídio federal, suspeito de vazar informações a TH Joias – outro próximo a Flávio, envolvido com o CV – e de ligações com a cúpula do jogo do bicho.

Sem falar no aliado Claudio Castro, ex-governador do Rio, cuja gestão empregou mais de 4 mil funcionários afastados pelo governador interino, o desembargador Ricardo Couto. Castro tem escapado da prisão, atolado em processos. 

Os mui amigos citados eram a cúpula do poder no Rio de Janeiro, infestado de infiltrações com o crime organizado.

A saneadora gestão de Couto, por sinal, rompeu o violento processo de degradação vivido pelo estado, sobretudo a partir de 2018, quando os Bolsonaro passaram a dar as cartas.

E nem falo aqui das relações íntimas com o maior bandido da vez: o banqueiro Daniel Vorcaro, a quem Flávio deu uma facada de R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões acordados, sob  pretexto de financiar a cinebiografia do pai – valor jamais visto na indústria cinematográfica (provavelmente usado para bancar o irmão Eduardo nos EUA).

O mais inacreditável é que após tantas denúncias, do vídeo de Michele o acusando de misoginia e pela parte que lhe cabe na ameaça de novo tarifaço pelos EUA (para onde ele viajou para fingir recuperar o prejuízo), a popularidade do filho 01 ainda se sustenta. Apesar de considerável queda.

Quando Bolsonaro era presidente também me espantava com sua popularidade, apesar de todos os males que fez ao país – sobretudo a morte de 700 mil brasileiros, dos quais, ao menos 400 mil poderiam ser evitadas, como denuncia o filme “Anatomia do Caos", de Dandara Ferreira.

A participação de Flávio no filme é sinistra. Ele classificou a CPI da Covid – sepultada pelo PGR Augusto Aras – de “peça de ficção.” E ainda imitou a gargalhada irônica do pai, que aparece ridicularizando os doentes com falta de ar. Ajudou, pelo menos, a enterrar sua reeleição.

Seria Flávio um Jair piorado?

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