Abertura das campanhas já diz tudo


 A diferença entre a abertura, domingo, da campanha presidencial dos dois candidatos mais competitivos deste ano não poderia ser mais abissal. Só nas arquibancadas do Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo (SP) – onde Lula começou sua liderança sindical – eram 20 mil pessoas.

Enquanto Flávio conseguiu reunir apenas 8,9 mil na Praia de Copacabana, conforme o Monitor do Debate Político da USP. Menos da metade dos 32 mil que seu pai juntara ali no ato pró-anistia do Dia da Independência de 2024...

Feliz com a intensa adesão ao início de sua campanha, Lula falou mais de 30 minutos e abusou do seu carisma. Lembrou das greves 1979 e 1980, quando foi preso e teve seu papel de liderança sindical reconhecida pela classe operária.

Citou resultados deste terceiro mandato e pediu à militância para cobrar dos indecisos comparações com os números - piores - do governo anterior. Realçou seus feitos na Educação, distinguindo os investimentos no futuro da liberação de armas promovida por Bolsonaro em nome da segurança. 

No encontro, o presidente colheu os frutos das caravanas de diversos estados organizadas pelo PT para garantir a presença maciça no “Lula: onde tudo começou”. Por questões de segurança, a organização não liberou o sobrevoo de drones, de forma que o sucesso do evento foi atestado apenas pelas arquibancadas e gramados superlotados.

No Rio, a melancolia do tempo encoberto foi usada por Valdemar Costa Neto como desculpa pelo esvaziamento do evento de Flávio. Quando se sabe que um dia nublado é ideal para participações em manifestações ao ar livre. 

Pior que isso, nem Michelle, Nikolas Ferreira ou Tarcísio de Freitas (a quem não interessa a vitória do filho 01 para que possa concorrer sossegado em 2030) apareceram, assim como Malafaia, o maior organizador dos eventos de seu pai.

Quem marcou presença foi o eventual vice, Alfredo Gaspar, suposto estuprador de vulnerável, suspeita ainda sob investigação pela PF. Imaginem se Flávio se elege, se afasta e é substituído por um estuprador de menores?

Além de Valdemar, participaram o candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas – do grupo de Claudio Castro, envolvido com o crime organizado -, Carlos Portinho (PL-RJ) – que minimizou o 8 de janeiro e pede a cassação de Alexandre de Moraes – e Carlos Jordy (PL-RJ), diretamente envolvido nos atos antidemocráticos entre outubro de 2022 e o início de 2023 no interior do estado do Rio.

O desastre levou a campanha a cancelar a visita que Flávio faria ontem a Juiz de Fora, no mesmo cruzamento da facada que turbinou a eleição de seu pai.

Largada que já diz tudo...

 

 

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