A perversidade do Discord
Com mais de 690
milhões de contas criadas desde 2015 e mais de 200 milhões de usuários mensais,
o Brasil é o segundo maior mercado mundial para o Discord. O servidor privado, porém, ultrapassou qualquer limite em 22 de julho, quando uma menina de 13 anos se matou diante de uma plateia, em Naviraí, no
interior de Mato Grosso do Sul.
Transmitida ao vivo
pelo Discord - promovido por grupos criminosos -, a cena durou 45
minutos. Para o Ministério da Justiça, o suicídio foi um homicídio
por manipulação.
Aliciada
pela internet, a menina foi submetida a coerção psicológica. Primeiro, instigada a
maltratar um animal para, depois, transmitir a própria morte. E a Operação Lívia, da PF, apreendeu cinco adolescentes e prendeu um homem de 18 anos, em cinco estados diferentes.
A Agência Nacional de Proteção de Dados determinou que o Discord suspendesse por três dias úteis (o prazo terminou na última segunda-feira) as transmissões ao vivo em todo o país. Decisão correta, porém, insuficiente, enquanto persistir a polêmica da liberdade de informação – mesmo se para induzir uma menina ao suicídio ou ao estupro de bebês (sim, essa perversidade existe!).
Só que o Discord depende da
análise do comportamento das contas, que tem sido incapaz de reconhecer as ameaças graves, e da denúncia de usuários. Como esperar que os próprios
criminosos se autodenunciem?
Tem de tudo lá: tortura de dezenas de animais, apologia ao nazismo e ao racismo, indução à automutilação e ataques contra pessoas em situação de rua — transmitidos e aclamados por centenas de espectadores. Em 2023, ataques a escolas foram planejados no Discord.
A juíza Vanessa Cavalieri, da
Vara da Infância do Rio, já encontrou no celular de um adolescente vídeos de
estupros de bebês. As denúncias contra o servidor cresceram 54% de janeiro a
julho, e de 264 a 406 em igual período de 2025.
Outro efeito colateral do servidor é a perda de sensibilidade: o cérebro
se habitua à violência extrema e a resposta emocional ao horror diminui a cada
exposição. Adolescentes deixam de se comover, estimulados a achar graça na dor
alheia.
O Brasil não bloqueou o Discord: o aplicativo constinuou a funcionar para
texto, voz e chamadas. Foi suspensa apenas a funcionalidade de transmissão ao vivo, com base em lei aprovada pelo Congresso por decisão fundamentada e reversível — basta a empresa
comprovar que se adequou.
Se o Discord não se adequar, a saída é o bloqueio total pela via judicial,
como a lei determina. Não há outra alternativa. E não vão dizer que é censura à liberdade de informação.
(Fonte: Daniel Becker)

Carlos Peixoto Filho
ResponderExcluiré assustador.
Monstruoso
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