Falsa narrativa atinge Moraes
Só que a investigação da PF iniciava por um assassinato e pela tentativa de blindagem de seus possíveis mandantes, processo que caiu nas mãos de Dino. Dias depois, o mesmo Dino e seus familiares passaram a ser monitorados no Maranhão.
Ou seja, virou uma questão de vida ou morte de um ministro.
Na realidade, Moraes autorizou a operação contra Raimundo Cutrim,
ex-secretário de Segurança do Maranhão que seria fonte do blogueiro Luís
Pablo, autor das publicações sobre os carros oficiais usados por Dino, ação apontada pelos bolsonaristas como “ditadura do STF”.
Luís Pablo publicou em novembro de 2025 fotografias e informações sobre veículos usados por Dino e seus familiares no Maranhão. O blogueiro forjou então a denúncia de um suposto uso irregular de carros pertencentes ao TJ-MA. Só que o TJ-MA e o STF negaram essas irregularidades.
Para a segurança do Supremo, aquilo não se limitou à fotografia de um carro oficial. Era a suspeita de monitoramento
dos deslocamentos de Dino e de seus familiares no Maranhão. E a PF passou a investigar o caso como uma suspeita de perseguição.
Em março, Moraes autorizou a busca e apreensão contra Luís Pablo, em cujos
equipamentos apareceu Raimundo Cutrim, já acusado de obstrução de Justiça em outra investigação no STF.
O caso chegou ao Supremo em 24 de outubro de 2025 e Dino foi sorteado como
relator da investigação que o atingia.
Segundo a PF, foi Cutrim quem conseguiu as informações e imagens depois
divulgadas por Luís Pablo. Para os investigadores, o ex-secretário de Segurança
teria se aproveitado do cargo de agente público para consultar sistemas de acesso
controlado, que exigiam usuário e senha.
A PF investiga, portanto, se um interessado no
processo relatado por Dino usou o acesso privilegiado a sistemas públicos para
levantar dados sobre a segurança e os deslocamentos desse ministro, para
repassá-los ao blogueiro.
Cutrim foi para a prisão domiciliar em julho, em investigação ligada a um assassinato e por suspeitas de coação de testemunhas e obstrução de Justiça.
Quando a PF foi à sua casa, encontrou 26 armas e mais de 700 munições. E
ainda identificou o pagamento de R$
100 mil ao blogueiro.
O sigilo da fonte é uma garantia constitucional e instrumento indispensável ao jornalismo. Só
que proteger o sigilo da fonte é uma coisa, transformar a condição de fonte em imunidade
contra investigação criminal é outra. E foi isso o que aconteceu, sob a falsa máscara do sigilo da fonte.

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