O perigo ambulante
Os leitores que me perdoem pelo repeteco, que volta a ser abordado com brilhantismo pelo colunista Bernardo Mello Franco, coluna que sintetizo abaixo:
“Em abril de 2020, Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça atirando. Acusou o então
presidente Jair Bolsonaro de interferir na PF para blindar o filho
Flávio, investigado no escândalo da rachadinha. Para o lugar de Moro foi escalado o mais discreto chefe da AGU. Era
André Mendonça, que se notabilizaria por usar o cargo para abrir inquéritos contra os críticos e opositores do chefe.
Em seis anos, Moro reatou com o bolsonarismo, virou senador e agora
disputa o governo do Paraná pelo PL. Mendonça, seu substituto na Justiça foi alçado a
ministro do STF e agora ré Mendonça é relator de dois casos com
potencial para influir no resultado da eleição. (...)
Estão em suas mãos o caso Master, que arranhou a imagem de
Flávio, e dois inquéritos do caso Lulinha, que ameaça os planos do
presidente. As investigações andam em ritmos diferentes. Uma não produz
fatos novos desde maio, quando o Intercept revelou a intimidade
do senador com Daniel Vorcaro. A outra ocupa o noticiário com vazamentos em
série, que pautam a eleição a seis semanas do primeiro turno.
Na quinta-feira, soube-se que a
PGR pediu o envio do caso Lulinha à primeira
instância. Argumentou que a investigação não cita autoridades com foro
privilegiado, o que justificaria a permanência no Supremo. Assim que o pedido veio
a público, Mendonça fez circular que vai recusá-lo.
Em 2018, Moro desequilibrou a eleição presidencial em favor
de Bolsonaro. Depois de prender o líder nas pesquisas, o juiz
interrompeu as férias para impedir o cumprimento de uma decisão que mandava
soltá-lo. A seis dias do primeiro turno, divulgou uma delação de alto impacto
contra o PT.
Nesta quinta, Flávio disse considerar seu envolvimento no caso Master
uma “página virada”. E tem razões para se sentir protegido. Nada lhe aconteceu desde que as conversas com Vorcaro vieram à tona. Ele
permanece a salvo de novos vazamentos, operações de busca ou intimações.”
Segundo Rosalna Minatti, leitora do blog, Mendonça é amigo de Flávia Arruda, casada com Augusto Lima, sócio do Master, preso com Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero. Isso fora seus vínculos com Bolsonaro. Não pode, portanto, permanecer no caso.
E, para os que acham fácil conter um ministro do STF, Lauro Jardim revela que o principal
cardápio do jantar, no início do mês, entre Lula, Davi Alcolumbre e Alexandre
de Moraes foi o relator dos casos Master e INSS. Teriam confabulado como
fragilizar Mendonça, que conduz os dois inquéritos.

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