PF investiga relação Flávio/Vorcaro
As relações promíscuas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, que
pareciam óbvias ao olhar leigo, também mudaram de figura para a PF. Como revelou a
jornalista Andrea Sadi, o repasse de R$ 61 milhões ao filho 01, supostamente
para o filme “Dark Horse”, passou a ser investigado pelos agentes no campo
criminal.
A PF já avalia o episódio como uma eventual prática de corrupção passiva
e ocultação de bens (possivelmente com repasse dos valores à luxuosa estadia do irmão Eduardo Bolsonaro
nos EUA através de seu advogado, Paulo Calixto).
Dois fatores básicos sustentam a nova linha investigatória: por que
Vorcaro, principal investidor no filme e, na prática, seu principal produtor,
não quis vincular sua imagem ao filme?
Isso além da declaração de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, sobre Flávio ter ido à casa de Vorcaro (então com tornozeleira eletrônica) para
cobrar o que faltava dos R$ 134 milhões previamente acordados entre os dois.
A ideia básica é verificar a engenharia financeira para permitir que o
mandato ou a influência política do senador teriam servido de pano de fundo
para a obtenção de benefícios financeiros sem justificativas (inclusive porque
esses valores dariam para produzir ao menos uns 10 filmes).
Flávio foi questionado
sobre este pedido de R$ 134 milhões na entrevista à TV Globo, descrita
por ele como uma “relação privada”. “Não tem absolutamente nada de
irregular”, afirmou, com seu tom cínico que já supera o do pai.
Se faltou aos entrevistadores presença de espírito para confrontar a lorota – nada pequena para quem foi flagrado tomando dinheiro de um
especialista em corromper autoridades - , é tranquilizador saber que a PF cumpre este papel e busca a verdade no episódio.
Espera-se que a tempo de trazer à tona informações cruciais aos que vão
decidir seu voto em 4 de outubro. Está mais do que na hora de rebater os vazamentos
seletivos sobre Lulinha providenciados pelo ministro André Mendonça, que senta em cima do processo Flávio/Vorcaro e age muito mais como
advogado particular dos Bolsonaro do que como um magistrado regiamente pago para defender os brasileiros.

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