A origem da impunidade
Nunca entendi como o ex-governador do Rio, Claudio Castro, saiu incólume de tantas denúncias recheadas de provas. A explicação foi encontrada, porém, pelo ICL. E tudo tem a ver com a
leniência do ministro André Mendonça e os recursos do estado injetados no seu
Instituto Iter.
No período em que Mendonça tomou decisões favoráveis
ao ex-governador do Rio, o Iter foi contratado pela Secretaria de Segurança,
Corpo de Bombeiros e PGRE, por R$ 1 milhão.
Em 10 de outubro de 2024, poucos meses antes das
contratações pelo governo do Rio, Mendonça decidiu pelo fim de duas investigações
contra Castro sobre um suposto esquema de corrupção na Fundação Leão XIII. Em
uma das denúncias de um relator, ele foi flagrado saindo de um escritório
com uma mochila que teria R$ 100 mil.
A PGR recorreu da decisão do magistrado em outubro de 2024, que deixou o caso parado por 219 dias. Enquanto Mendonça postergava o julgamento de Castro, duas secretarias do governo do Rio abriram processos para contratar o Iter sem licitação. E, no início deste mês, após revelações de contratos firmados pelo instituto, Mendonça anunciou sua saída da sociedade.
Fundado em novembro de 2023, o Iter faturou R$
10,4 milhões em 2025 e soma 68 contratos com entes públicos, que totalizam R$ 11,47
milhões. Mendonça e a mulher tinham 77,5% das ações, e dois dos sócios são
assessores do ministro no STF e no TSE. Até a quinta-feira 24, porém, não constava na Junta Comercial de SP nenhum registro de
que Mendonça e esposa tivessem deixado a empresa.
Enquanto o processo STF esteve parado no STF, a Secretaria de Segurança do Rio abriu o processo de contratação do Iter, em 26 de março de 2025. O Corpo de Bombeiros fez o mesmo em 29 de maio, por R$ 20.250,00.
As contratações começaram na semana em que Mendonça
se encontrou com Daniel Vorcaro em SP, em 14 de março de 2025. Em
fevereiro de 2026, o magistrado assumia a relatoria do caso Master no STF e é
responsável pelo possível pagamento de propina pelos aportes de quase R$ 3,7
bilhões do Rioprevidência ao banco
controlado por Vorcaro.
Que continua a não mover uma vírgula.
Em maio de 2024 Mendonça absolveu Castro no julgamento sobre o uso político e eleitoral da Fundação Ceperj e da Uerj pelo governo do Rio pela contratação secreta de mais de 45 mil pessoas, com pagamentos em dinheiro vivo.
Sua última mãozinha ao ex-governador foi o voto por eleições indiretas ao governo do Rio, para favorecer o grupo de Castro com a indicação de Douglas Ruas para sucedê-lo.
Mais batom na cueca para
ambos, impossível.

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