"Dark Horse" sob uma única investigação
Bingo. Pelas descobertas da PF com a mega operação de quinta-feira, o
ministro Flávio Dino concluiu que as investigações sobre as emendas parlamentares
destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), relatadas por ele, e sobre os R$
134 milhões que Daniel Vorcaro teria repassado a Flávio Bolsonaro – sob a
relatoria de André Mendonça - podem integrar uma mesma estrutura criminosa.
Ou seja, algo que parece tão óbvio a quem observa de fora essas
sequências de acontecimentos, porque ambas giram em torno de um mesmo núcleo –
o filme “Dark Horse –, ganha um incontestável arcabouço jurídico pelo know how de
Dino.
Como evidenciam os próprios protagonistas envolvidos nos fatos, existem
elos concretos entre as emendas destinadas pelo deputado Mário Frias à a
empresária Karina Gama, dona da produtora GoUp, e a investigação que
envolve Flávio no caso Master: a produção de “Dark Horse”.
O que justifica a investigação conjunta entre os dois casos e torna
desnecessária a existência de duas relatorias sobre ambos. Ou seja, como foi
Flávio Dino quem deu a largada às investigações, caberia a ele o comando dessas
duas frentes, que se tornariam uma única, tornando desnecessária a já conhecida inoperância do ministro
terrivelmente evangélico.
A investigação que chegou ao ICB começou com a destinação de R$ 2
milhões em emendas parlamentares por Mário Frias. O inquérito, que tem origem
no orçamento secreto, está sob relatoria de Flávio Dino e motivou a ação da PF.
Karina Ferreira da Gama – que prestou serviços à campanha de Frias em
2022 - aparece no material analisado pela PF como presidente do ICB e da
Academia Nacional de Cultura (ANC), além de empresária ligada à produção de "Dark Horse" feita pela sua Go Up Entertainment.
E há informações relevantes sobre a atuação de Flávio, como o áudio em
que ele cobra de Vorcaro parte dos US$ 24
milhões que teriam sido prometidos ao
clã, além de reuniões com o banqueiro após a primeira prisão, em novembro do
ano passado. Ainda assim, a relatoria de Mendonça não desencadeou nenhuma operação contra o filho 01. Por quê?
Conclusão: “O
fracionamento da investigação compromete a compreensão da dinâmica
global dos acontecimentos, dificulta a produção de prova e favorece a formação
de visões parciais sobre a mesma estrutura criminosa”.
Por tudo isso, Dino defende que as duas investigações devem ser unificadas por tratarem da atuação de uma mesma organização criminosa, com o mesmo fim.
Com a queda do sigilo do Banco Master, talvez esta estratégia torne-se até desnecessária...

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