O projeto de André Mendonça
Escrevo esse
texto antes do resultado do teatral julgamento realizado ontem no STF. Nem o mais criativo
roteirista seria capaz de criar roteiro tão farsesco.
A 19 dias das eleições, o algoz de Jair Messias é julgado por crimes que não teria chegado a cometer. Se houve vantagens do banqueiro trambiqueiro - como aconteceu com Dias Toffoli, Nunes Marques e Luiz Fux -, Alexandre de Moraes não teria recebido nada em troca. Afinal, Daniel Vorcaro foi preso e o Banco Master, liquidado.
Seu maior
crime foi prender o ex-presidente e impedir que ele assumisse seu segundo mandato que –
como se sabe – concretizaria seu projeto de transformar o país numa ditadura. A exemplo do que faz Donald Trump nos EUA.
Ou seja: o
golpe não pode parar.
Enquanto
isso, as atenções para o debate eleitoral são desviadas para um fato
irrelevante à sucessão presidencial.
Quando o fato principal é Flávio Bolsonaro se manter na disputa com a arrogância de quem não cometeu nenhum erro. Já se sabe que até agora ele foi o maior beneficiário de Vorcaro, com os R$ 72 milhões dos R$ 134 acordados recebidos do banqueiro para engordar seu caixa 2.
Pior: em retribuição aos serviços prestados pelos R$ 2,6 bilhões desviados dos recursos dos aposentados do Rio que, por extensão, beneficiaram também Claudio Castro,
outro aliado que segue escapando milagrosamente das grades.
E hoje o grande maestro desta orquestra atende pelo nome de André Mendonça, que começou a desconstruir as vantagens eleitorais de Lula com as acusações a Lulinha, contra quem nada foi provado até agora.
Mendonça foi assessor de Toffoli no STF e escreveu um livro tecendo loas ao colega. Fiel como é, jamais deixaria o infrator na mão. Isso sem falar nas vantagens financeiras que teria recebido do próprio Vorcaro - até seu implante capilar foi feito pelo médico Thiago Bianco, irmão de Bruno Bianco, que o substituiu na CGU e é advogado de Vorcaro.
Já a dança que promoveu para favorecer Flávio – com sua sequência de vazamentos seletivos que
culminaram nas acusações contra Moraes – na verdade não miram no filho 01.
E sim na amiga Michelle Bolsonaro, que teria convencido o marido a levá-lo ao STF, e para quem colabora para sua candidatura à presidência em 2030. Isso após desempenhar no Senado o papel de defensora dos evangélicos e dos endinheirados. Paradoxos intrínsecos ao bolsonarismo...
Nesse cenário, ele sabe que sua vaga à vice-presidência do Brasil estaria garantida. Ascenção nada surpreendente para quem chegou ao Supremo sem nenhum saber jurídico.
E assim o Brasil perderia sua laicidade, para se transformar numa república fundamentalista, que navegaria ao sabor do fanatismo religioso. É esse o futuro que nos espera se esse plano macabro for para a frente...

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