Raio-x da tortura no regime militar
Tudo começa quando o general Humberto de Souza Melo, comandante do II Exército no truculento
período de Garrastazu Médici, procura a Fiesp, liderada por Theobaldo
de Nigris, e convida o presidente da General Eletric do Brasil, Thomas
Romanach, para começar a recolher o dinheiro.
Era o primeiro passo para brasileiros começarem a ser triturados em salas de tortura e vozes
tentarem denunciar a barbárie, sobretudo no exterior. O equivalente a acionar a
raposa para cuidar do galinheiro na 'luta contra a subversão'.
O milico
pedia dinheiro para comprar armas, veículos, aparelhos de comunicação e para
construir e equipar a sala de torturas. As doações das empresas eram feitas a
um falso fundo educacional da Fiesp, com recibo, e repassadas à repressão, como revela o colunista Bernardo de Mello Franco.
Em outra
frente, o ICL expôs conexões da repressão com os serviços de informação da
Inglaterra, a partir das 23 pastas com três mil folhas de
documentos dos arquivos do general Cyro Etchegoyen, do Centro de
Informações do Exército.
Dali saiu a Casa da Morte (foto), em Petrópolis - mais tarde desapropriada para virar um centro de resistência militar -, sob o comando do Doutor Bruno. Estima-se que dos 22 assassinatos sobrou apenas Inês Etiene Romeu (1942-2015), que denunciou as atrocidades.
Como relata o colunista Elio Gasperi, os ingleses
ensinaram técnicas de interrogatório e, apesar de condenarem a tortura,
sugerem detalhes como, “ao ser conduzido
para o refeitório – onde o preso chega algemado e encapuzado – são acesos os
refletores dirigidos ao seu rosto, é retirado o capuz e ele permanece de pé,
algemado.” E mais: “O preso não dorme ou pode cochilar (...) para a perda de noção de tempo, sem confortos e alimentação mínima para ele não adoecer”.
Nada disso seria considerado tortura...Os ingleses sugerem ainda que a localização do centro deveria ser secreta, o prisioneiro deveria ficar completamente isolado. A apostila cita um interrogatório de 58h de uma militante da VPR.
Até então, conheciam-se
colaborações de norte-americanos e de franceses. Dos ingleses, não se sabia. Mais uma vez: buscava-se socorro justamente entre todos os que fomentaram o criminoso
esquema de tortura. Por isso não dava resultados.

É, tem até hoje quem defenda golpe e tortura
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