O mistério da resiliência
Achei que a
candidatura de Flávio à presidência eram favas contadas, após esse tsunami de crises.
Não mais. Sua resiliência vai além da imaginação, o que só mostra a sede da
extrema direita de voltar ao poder. A pesquisa DataFolha divulgada ontem mostra
que tudo continua (quase) como antes no quartel de Abrantes.
O quartel, por
sinal, segue passando ao largo da pré-campanha do PL, pelo menos do que se tem
notícias. Nos quatro últimos anos os milicos não deram o ar da sua graça. Nem
nos demos conta do alívio que foi não ter nenhum verde oliva palpitando na política nacional...
O que se
deduz que os eleitores da extrema direita não estão nem aí para o assalto que Flávio Bolsonaro fez ao ladrão mor, Daniel Vorcaro. É verdade que o ministro André
Mendonça mandou investigar as tramoias que envolveram “Dark Horse”, a cinebiografia de Bolsonaro, e daí ainda
pode sair muita coisa...mas será que alguém vai se importar?
E mesmo com
a obviedade de farsa do armistício entre Flávio e Michelle, os evangélicos
estão loucos para acreditar nas histórias da Carochinha. Se o filho 01 quisesse
de fato pedir o perdão da madrasta, não teria esperado tanto tempo. O que o teria
feito mudar de opinião, senão a enrascada que virou sua campanha? Recuperar
o voto feminino passou a ser uma questão de vida ou morte a quem já respirava por aparelhos.
Então ele
fingiu que pediu perdão e ela fingiu que aceitou.
E aquele
recado bem dado a Trump, com a retomada da campanha anti-urnas eletrônicas,
chegou bem chegado ao endereço. Depois que o Peru e a Colômbia tombaram para a
direita, não tem sido difícil a Marco Rubio convencer o chefe de que é vital dominar a América do Sul.
(A única vantagem desse neocolonialismo trumpiano é que ele é feito às claras...)
Os novos tarifaços são um recado e tanto do que pode vir por aí. Por sinal, os últimos capítulos da minissérie “Casa dos Espíritos”, de Isabel Allende, são uma mostra do que a direita é capaz. E ela prefere ver sangue do que assistir à continuidade de Lula no poder. Todo cuidado é muito pouco!
(Com charge de Aroeira no site 247)
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