Vitória fake e entreguismo
Na quinta-feira, me
assustei quando vi a confiável jornalista Daniela Lima anunciando no UOL a previsão do mercado financeiro de vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Pensei: ela tem
experiência suficiente para não cair em esparrelas... Depois, li comentários nas
redes de que este mesmo grupo estaria armando uma expectativa de vitória à oposição para depois alegar fraude se Lula ganhar.
A melhor e mais
convincente explicação, porém, veio do artigo publicado ontem pelo
jornalista Luís Nassif, que sintetizo abaixo:
“O mercado financeiro
trabalha com posições. Quem acredita na alta compra; quem aposta na queda
vende. Mais do que antecipar o futuro, tenta construir expectativas capazes de
mover preços no presente. Agora, a mesma lógica alcança a disputa eleitoral. Uma
aposta na vitória de Flávio pode levar os operadores a montar, no presente,
posições coerentes com o cenário que desejam vender:
Alta dos contratos
futuros do Ibovespa; queda do dólar futuro; possível recuo do ouro futuro, tradicional
ativo de proteção.
Isso porque um
governo Flávio Bolsonaro abriria espaço para a volta do dinheiro do crime
organizado ao mercado.
Esses movimentos não
demonstram que Flávio vencerá. Revelam apenas que determinados agentes
decidiram operar como se essa vitória fosse provável — e têm interesse em
convencer outros investidores a acompanhá-los.
Portanto, quando se
diz que “o mercado” atribui 60% de chance a um candidato, a pergunta correta
não é apenas se a previsão está certa. É também: quem está apostando, em quais
ativos, com que volume e quem lucra se os demais acreditarem nessa narrativa?
O mercado não apenas
interpreta a política. Também tenta influenciá-la — e ganhar dinheiro com os
movimentos que ajuda a produzir.”
A oito dias das
eleições todo cuidado é pouco. Sabemos que a direita ainda não desistiu do
golpe, ainda mais com a ameaça de intervenção de Donald Trump no nosso
quadrado. Tudo o que o líder republicano quer é a eleição do Rachadinha, que já
anunciou que vai dar o Brasil de bandeja aos EUA.

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