Caminho direto para o retrocesso
Até o
presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu: “Flávio pode planejar um golpe”.
Que canseira, depois de tudo o que passamos, a campanha contra as urnas eletrônicas, articulações com os ministros militares, os acampamentos na frente de
quartéis, o tenebroso quebra-quebra do 8 de janeiro (foto) e a prisão dos cabeças, podemos voltar à estaca zero.
Recados não
faltam.
Flávio já
declarou que pode não aceitar as determinações do STF. Sem corar, garantiu que
seu primeiro passo, se eleito, será anistiar todos os cúmplices do
quebra-quebra e sobretudo o papai, que subiria a rampa com ele, segundo diz.
Essa semana
foi ainda mais explícito, quando afirmou em alto e bom som que vai mudar a
constituição. A constituição cidadã de 1988, reverenciada pelo mundo
democrático, garantia de direitos básicos de saúde e educação, escrita pelos mais gabaritados juízes e advogados, seria reescrita por milicianos, seria isso que ele planeja?
Também já avisou que vai usar um tesouraço, expressão que cola tanto entre o eleitorado quanto colou o discurso do caçador de marajás Fernando Collor de Melo, o primeiro presidente civil eleito após os 21 anos de ditadura militar, cujo primeiro ato foi confiscar a poupança dos brasileiros.
Acabou impichado.
Como uma escorregadia salamandra, Flávio passou a vida escapando de seus ilícitos. Das rachadinhas
aos vínculos com milicianos, que culminaram nos R$ 134 milhões que recebeu do
maior ladrão de todos os tempos, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, indício escancarado de corrupção empurrado para debaixo do tapete durante toda a campanha.
E o tal
tesouraço, não se enganem, vai atingir em cheio a saúde – o INSS voltará à penúria e o BPC será extinto. A educação – as universidades ficarão à míngua e o que restar de recursos irá para as escolas militares – e os pobres, com o achatamento
do salário mínimo, o fim da paridade entre as aposentadorias e o salário
mínimo.
Quem poderia concordar com tanta barbárie? Só mesmo os mais ricos, que já têm a vida ganha. A qualidade de vida dos desassistidos despencará ainda mais, e o que eles acham ruim, ficará ainda pior. Voltaremos ao Mapa da Fome, à fila do osso e à ditadura militar, com tudo o que ela tinha de pior.
Não é possível que seja essa a vontade dos brasileiros...
No mais, o império das milícias voltou a reinar no Rio de Janeiro, com a eleição em primeiro turno de Douglas Ruas.

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