Quem quer a ditadura bolsonarista?
Será que a direita não bolsonarista é capaz de entender o que
significaria uma vitória do filho 01? Os mais jovens não viveram a ditadura,
não têm ideia do que significa.
Eu tinha 8 anos quando os militares tomaram o poder. E 29 quando
acabou. Sempre estudei em colégios progressistas e, apesar de não ter sofrido
na pele perseguições, tortura ou prisão, sabia de muitos que passavam por isso.
Me lembro que assisti ao icônico “1900” (foto), de Bernardo
Bertolucci, numa viagem que fiz à Europa aos 19 anos, patrocinada por um tio
rico. O filme foi censurado no Brasil por mostrar os métodos do fascismo. Os mesmos que levaram o Velho Continente à guerra que quase destruíram a civilização
ocidental, sob a batuta de Hitler e Mussolini.
E, aos 24 anos, quando entrei para o Jornal do Brasil, comecei a
conviver com a censura da imprensa. Eram criaturas tapadas, culturalmente
limitadas e ignorantes que ditavam o que podíamos ler, escrever, assistir. Absurdo.
O próprio Flávio não esconde sua intenção de dar um golpe - já disse
que tem maioria para mudar a Constituição e que pode não aceitar determinações
do STF -, já tentado por seu pai e frustrado pelo que ainda resta de democracia no
Brasil.
Verdade que nossa democracia ainda deixa muito a desejar, tanto que a extrema direita conseguiu maioria no Senado e na Câmara, ocupados pela classe dominante. Mas é o que temos.
Se eleito, ele terá o Congresso e o Judiciário, tão logo nomeie os
juízes a que terá direito. Nem Jair Messias teve tanto poder.
Agora, na votação do fim da escala 6 x 1, Flávio deu seu show de hipocrisia. Articulou para melar a proposta e, com a aproximação das eleições, disse que votaria a favor. Além de faltar à votação para dançar funk em Porto Alegre, avisou que vai instituir o trabalho por hora, para ferrar o trabalhador.
E, como disse a jovem deputada Ana Elisa (PT-MG), vai ferrar nossos filhos,
netos, pais e avós. Enquanto a equipe econômica promete a perda do poder de compra
do salário mínimo e o fim do reajuste da aposentadoria pelo salário mínimo,
Flávio anuncia um “tesouraço” de R$ 250 milhões no orçamento, sem tocar
nos programas sociais.
Sabemos o mentiroso que ele é – “não conheço Daniel Vorcaro”, quando
está envolvido com o ex-banqueiro até o pescoço -, e não há condições de cortar
só com a publicidade ou com cargos de confiança, como ele tenta enganar, que não
fazem nem cosquinha nesse volume todo de dinheiro.
Se passamos 21 anos numa ditadura militar, começaríamos uma ditadura bolsonarista, sem data para acabar, de gente que passou a vida mamando
no estado sem dar nada em troca aos brasileiros. Dá para imaginar
20, 30 anos, sob o jugo dessa gente cruel e incompetente ?

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