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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Pesadelo à vista no Senado

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  É assustador o resultado preliminar das pesquisas de opinião para o Senado. Ao que tudo indica, as intenções de Bolsonaro manifestadas antes de ser preso podem se concretizar. Ou seja, a oposição até perde as eleições para presidente, porém, é favorita para ganhar maioria no Senado. Dos atuais 81 senadores, 54 encerram seus mandados, ou   2/3 da Casa. Hoje são 33 oposicionistas, 28 governistas e 20 flutuantes (centro). O governo perde 21 senadores, a oposição 17 e os flutuantes (que votam com os dois campos), 16. Para conquistar maioria absoluta, seria preciso o governo eleger 34 senadores destas 54 vagas – ou uma vitória de 2/3 -, enquanto a oposição precisa de apenas 24. Quer dizer,  até agora  a oposição está em grande vantagem. No Nordeste, a base governista lidera para conquistar 13 cadeiras, para 4 da oposição e 1 de Centro. Sergipe é o estado mais à direita. Já no Centro-Oeste, a oposição é favorita para oito vagas, sendo que no DF o PL lidera com os p...

Ouro nocauteia o dólar

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A desdolarização deixou de ser discurso e passou a ser estratégia concreta, com a substituição do dólar pelas reservas em ouro. Entre outubro de 2024 e outubro de 2025 o Brasil vendeu US$ 61,3 bilhões em títulos do Tesouro norte-americano (ou quase 27% das reservas em dólar), a maior redução percentual do mundo. Superou a Índia (21%) e a China (menos de 10%), embora esta tenha vendido valores absolutos maiores. E o Brasil e a Índia venderam os títulos norte-americanos durante a elevação dos juros nos EUA, com valor de face  menor  dos mesmos. Quer dizer, foi uma opção política e estratégica, e não financeira. Em três meses o Brasil adquiriu 43 toneladas de ouro, com reservas totais de 172 toneladas. Estratégia também seguida pela Índia e a China. E n os primeiros dias de 2026 o valor do metal já subiu 15%, sendo que em 2025 sua valorização foi de 65% - reflexo dos tarifaços de Trump. Além disso o Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja e a China - com de 60% ...

Apoiadores do clã se atacam

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  Ontem falei aqui do racha entre os candidatos à sucessão presidencial da direita. Pois outro racha acontece, entre duas das principais frentes de apoiadores do clã Bolsonro: a senadora Damares Alves e o pastor Silas Malafaia. Em entrevista ao SBT, Damares ameaçou nomear os pastores envolvidos na fraude do INSS (e olha que o Banco Master sequer foi lembrado...). Ao que Malafaia reagiu: “Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda. Dê o nome de quem são os líderes que pediram para a senhora calar a boca”, fulminou. “Leviana, linguaruda, cínica, mentirosa e indigna de ter o voto dos evangélicos”, completou, irado. E se deu mal. Três dias após a ameaça, Damares dava com a língua nos dentes. (Segundo aliados, ela realmente teria se surpreendido com a atuação dos pastores apontada na CPMI do INSS). Colegas também avaliam que Damares estaria se afastando dos Bolsonaro. E o que estaria por trás da denúncia é seu vínculo pessoal com a ex-primeira-dama, Michel...

Direita na flor da idade

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  Se a direita já estava rachada antes da marcha de Nikolas Ferreira (PL-MG) – criticada até por quem lançou um raio na turba que aguardava a chegada em Brasília -, rachou ainda mais.   Parece até a canção “Flor da Idade”, de Chico Buarque: Carlos que amava Dora que amava Lia que amava Léa...Dora que amava toda a quadrilha... Carluxo enxertou um “volta Bolsonaro” no vídeo que circulou nas redes durante o fim de semana, onde os participantes entoavam, na verdade, “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” ao passar por Luiziânia, perto de Brasília. Claro que Chupetinha não gostou da ‘invasão de território’. Para os participantes, a adulteração do áudio visava distorcer o objetivo da marcha. Mas afinal, as duas versões não tinham o mesmo objetivo? Quem estaria invadindo quem? Porque, enquanto atribuía a caminhada a um brado pela liberdade de Bolsonaro, como quem não quer nada, Nikolas ensaiava assumir o lugar de grande líder da direita. Tanto que ele virou “cap...

Gestapo mascarada é moeda de troca

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Como tem repetido o jornalista José Inácio Werneck, há 30 anos radicado nos EUA, no “Yes nós temos bananas” (exibido no  Youtube  às sextas-feiras, 17h), Donald Trump já não faz uso de suas faculdades mentais. A última do autocrata foi responsabilizar o prefeito e o governador de Minneapolis pela morte de dois cidadãos norte-americanos, causada pela ação de agentes da Agência de Imigração e Alfândega (ICE). Esta, já pode ser considerada pior que a Gestapo de Hitler, porque age mascarada (foto). E pratica a barbaridade que bem entender, como a prisão, em 20 de janeiro, de um menino de 5 anos, filho de imigrantes, também na mesma Minneapolis. Trump chamou governadores e prefeitos democratas para cooperarem com sua administração. O que significa, “entregar todos os criminosos estrangeiros ilegais que estão em suas prisões às autoridades federais para deportação imediata”. E fazer vista grossa à ação criminosa da ICE. Segundo Trump, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o...

A vontade divina

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  “Deus tem algo muito grande para a nossa nação através da vida”, orou Michelle Bolsonaro ontem pela manhã, antes da chegada a Brasília da marcha convocada por Nikolas Ferreira (PL-MG) pela liberdade do   ex-presidente.  Como se sabe, 30 das 72 pessoas que passaram por atendimentos ontem foram hospitalizadas após serem recebidas pelo raio que deixou oito delas em estado grave. Se a marcha fosse convocada por seguidores de Lula - caso tivesse sido ele o preso por tentativa de golpe -,  os bolsonaristas ligariam  ao demônio  a caminhada de 240 km, de Minas Gerais ao Distrito Federal.  E parece que a reza de Michelle acabou fazendo o efeito contrário... As vítimas do raio que o parta aguardavam o desfecho da marcha que, além de pedir a liberdade de Bolsonaro, tentavam ainda o cancelamento do veto de Lula à dosimetria.  Embora a ex-primeira-dama tivesse apoiado o ato, não compareceu ao mesmo, assim como o filho 01, Flávio Bolsonaro. Carluxo ent...

Bolsonaristas voltam a apelar

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  Essa semana, a PRF chegou a ser acionada para conter a marcha de bolsonaristas iniciada em Paracatu, em Minas. Eles não se manifestavam contra a jornada 6X1, contra a taxação dos bilionários, bancos, fintechs e bets . O movimento pede a liberdade de Bolsonaro. Não têm mais o que fazer... Segundo o Alfredo Ribeiro (Tutti Vasques), era a frente fria, porque não parava de chover desde o início. E voltaram a difamar nossa bandeira com a proposta obscena. Na sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes proibiu acampamentos próximos à Papuda e determinou que qualquer participante que se aproximar da Papuda será preso, cortando o mal pela raiz. Os planos deles eram bagunçar o coreto.  Liderados por Nikolas Ferreira (PL-MG), os que se entregaram ao ‘sacrifício’ não gostaram de saber que em meio aos deslocamentos, sob sol e chuva, Chupetinha e outros caras de pau hospedaram-se em hotéis de luxo, entre intensas revoadas de helicópteros. O que já mostra de onde eles vêm... O pedido...

Brizola, eterno como sua obra

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  Fui atropelada pelos fatos e demorei a prestar minha homenagem pelos 104 anos de Leonel Brizola (1922-2004). Tive o privilégio de acompanhá-lo de perto no seu primeiro governo no Rio de Janeiro, como setorista do Jornal do Brasil. Ao invés de ir diariamente ao jornal, meu rumo era o Palácio Guanabara, em Laranjeiras (pertinho de casa). Vivíamos os estertores da ditadura militar, a cada dia mais enfraquecida, sob a nefasta presidência do general João Batista Figueiredo – que preferia cavalos aos seres humanos. O cerceamento às liberdades começava a se esgarçar. Tanto que manifestações na porta do palácio eram quase que diárias. O povo recuperava seu direito de voz, após longo e tenebroso inverno de proibições, perseguições e prisões por qualquer motivo que pudesse cheirar a luta por direitos. As visitas ao governador eram constantes. Ulisses Guimarães era um que volta e meia batia seu ponto (na foto, de Aguinaldo Ramos, com Tarso de Castro). Ao contrário do que passamos nos ...

Países à mesa ou no cardápio?

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  O discurso mais relevante de Davos, no frio suíço, não foi o do bufão Donald Trump, e sim o do primeiro ministro do Canadá, Mark Carney (foto), em texto escrito pessoalmente, algo raro em falas desse porte. “O mundo não vive uma transição, mas uma ruptura. A chamada ordem internacional baseada em regras está se desfazendo “, ele aponta. Instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) perderam força e a integração econômica passou a ser usada como instrumento de coerção, com tarifas, sanções e cadeias de suprimento que passaram a ser usadas como armas políticas. Carney criticou a tentação de acomodação ao confronto e à crença de que a submissão compra segurança. Ao citar o historiador grego Tucídites, do século V (AC), lembrou que em tempos de rivalidade entre grandes potências os fortes fazem o que podem e os fracos sofrem. Para países médios como o Canadá (e o Brasil) aceitar essa lógica significaria desaparecer do jogo. A ...

Toffoli fede a enxofre no Caso Master

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  Poderia ser tudo bem mais simples, se o ministro Dias Toffoli se declarasse impedido de ser o relator do Caso Master no STF. Ao trazê-lo à Corte Suprema, porém, o magistrado dava indícios de suas nada republicanas ligações com o banco. Construído pela família de Toffoli, o Resort Tayayá (foto), em Ribeirão Claro (PR), tem até cassino. Cujos atrativos incluem 14 máquinas de vídeo loteria, onde as apostas funcionam como caça-níqueis. É possível, inclusive, jogar blackjack no local, uma aposta com cartas proibida no Brasil. Os jogos de azar presenciais também são proibidos no país. Em 2020, contudo, uma decisão do STF (na ADPF nº 492) – proposta pelo relator Gilmar Mendes e endossada por Dias Toffoli - , permitiu que os estados explorassem as chamadas “vídeo loterias” (as caça-níqueis), nome técnico das maquininhas existentes no Resort Tayayá. Às margens da represa de Xavantes, próxima à fronteira entre o Paraná e São Paulo, as diárias do resort, de arquitetura rústica, chega...

Belzebu no comando

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  Essa história de criação do Conselho de Paz para Gaza é a mais nova armadilha do autocrata Donald Trump. Para começar, seria uma iniciativa para esvaziar a ONU. Além disso, o líder republicano já falou de suas intenções de transformar Gaza num grande resort para endinheirados. (Por sinal, a fortuna de bilionários cresce três vezes mais rápido desde a sua eleição.)  O que ele quer é varrer de lá os mais pobres e fazer ali uma versão Disney 2026, algo que pode interessar a empresários norte-americanos. Não aos que de fato se preocupam com o futuro da humanidade. Onde ele será quem manda. Dá para confiar em alguém que associa sua intenção de controlar a Groenlândia ao fato de não ter ganho o Nobel da Paz? Como se fosse uma premiação decidida pela Dinamarca e não pela renomada (apesar de falha) Fundação Alfred Nobel. E promete taxar os países que não concordarem. Em resposta, a União Europeia congelou o tratado assinado em julho passado, com 15% de taxas à maioria dos pro...

Trincheira contra o bolsonarismo

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  Quando comecei a ler o excelente “Trincheira Tropical”, de Ruy Castro, me impressionei com a força do integralismo no país dos anos 1930 aos 1950. Estudei no colégio de esquerda (que me trouxe uma magnífica visão da história) sobre o  reacionário  movimento, não conseguia entender o por que de tanta adesão popular. Até o poetinha Vinícius de Moraes foi integralista, sem falar de muitos outros intelectuais, como o próprio Plínio Salgado (foto), o mirrado líder do movimento, orador que se agigantava nos palanques. A derrocada do grupo veio do seu abandono por Getúlio Vargas, durante o Estado Novo. Além do conservadorismo e da adoção do mantra “pátria, família e propriedade”, o integralismo tinha pouco em comum com o bolsonarismo. Para começar, o movimento floresceu paralelo ao nazismo e ao fascismo na Europa, quando o próprio Getúlio oscilava entre aderir ao eixo ou aos aliados. Bem ou mal, os europeus tinham princípios nefastos, porém, com uma coerência ideológica ...

Todo cuidado é pouco

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  Quando Bolsonaro foi transferido da cela da Superintendência da PF para a Papudinha – com correspondentes melhorias de condições no local que passou a ocupar -, já começou a pairar no ar um cheiro de prisão domiciliar. O mínimo exigido por seus apoiadores, que continuam a brigar pela anistia geral. Pois no último sábado fomos surpreendidos com o pedido de Habeas Corpus (HC) protocolado pelo advogado Paulo Emendabili Souza Barros de Carvalhosa, que sequer integra a defesa oficial do ex-presidente. O advogado solicitava que o Conselho Federal de Medicina (CFM) avaliasse a unidade prisional onde Bolsonaro está agora, para saber se o preso disporia de condições adequadas para atendimento médico contínuo, com equipes de saúde multidisciplinares. Requeria, também, a possibilidade de uma eventual prisão domiciliar. (Algo que a maioria dos 941.752 presidiários do Brasil, detidos por motivos muito menos relevantes que uma tentativa de derrubar a democracia, poderiam sequer sonhar.) ...

Como reduzir a violência no Rio

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  O novo Mapa do Crime do Rio de Janeiro 2024, produzido pelo Fogo Cruzado e pelo Geni da UFF - feito a partir dos 700 mil registros do Disque Denúncia ligados a tráfico e milícia - agora traz dois tipos de presença dos grupos armados no estado: o do controle e o da influência. O controle é quando o grupo domina uma área, e a influência quando a presença é parcial ou não permanente.  O estudo fornece os subsídios para que governadores resolvam o problema da criminalidade no estado não por operações de matança, como tem ocorrido, sem nenhum resultado, e sim com planos e ações nas ruas que envolvam todas as polícias, a partir de muita investigação e metas. Em 18% das 22 cidades do Grande Rio há presença de grupos armados, 14% deles sob o controle e 4% sob a influência. Isso corresponde a uma área total onde vivem 35% da população da Região Metropolitana do Rio, ou 4 milhões de pessoas. São 3.400.000 sob controle e 600 mil sob influência.   Já a milícia controla 49% das ...

A chapa oculta da direita

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  Sem nunca abandonar o discurso de perseguição política pela ‘injusta’ prisão, aliados parecem concordar que Bolsonaro passou do mal pior para o melhor, com sua transferência para a Papudinha, para mais espaçosa Sala de Estado Maior do 19º BPM no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. (De 12m² ele passou a 55m², com banho de sol diário, mas claro que Carluxo continua reclamando...) Como antecipei ontem no "Yes, nós temos bananas" (que vai ao ar no Youtube às sextas-feiras, a partir das 17h), essa foi ao menos a opinião de Silas Malafaia, o enviado de Deus para aconselhamento de seus fieis, entre eles, o clã. “Parabéns a Michelle e Tarcísio, um lugar melhor”, ele festejou. Como se sabe, um dos traços mais marcantes do ex-presidente é a desconfiança. Tanto que ele não hesitou em demitir  Sérgio Moro , ao sentir que seu e ntão ministro   da Justiça  estava a fim de pegar o seu lugar. Não foi diferente para anunciar seu sucessor na corrida presidencial de 20...

O azarão que carece de sorte

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  Durante o governo Bolsonaro, a barra do filho Flávio estava mais suja do que pau de galinheiro. Foi comprovado seu enriquecimento pelas ‘rachadinhas’, assim como o envolvimento com milicianos, como Adriano Nóbrega, os proventos retirados dos prédios irregulares na Muzema (que causaram 24 mortes) e a compra de uma mansão em Brasília sem que tivesse honorários para isso. O 01 escapou das grades graças à influência paterna, e agora o papai optou por indicá-lo à sucessão em 2026. Isso porque não confia que Tarcísio de Freitas – nome favorito da direita apontado pelas pesquisas Meio/Idea e Quaest   - vá se esforçar para retirá-lo da prisão. Até a traíra da Michele já declarou seu apoio a Tarcísio. Aliás, qual é o histórico para que ela também entre numa eventual corrida à presidência? Aprender de camarote as falcatruas praticadas pelo maridão? Bolsonaro já admitiu que a preferência é conseguir a maioria no Senado, para controlar os ministros do STF. Talvez por isso tenha op...