Se correr o bicho pega, se ficar, ele come
As 48 horas dadas pelo ministro Alexandre de Moraes à defesa do
ex-presidente terminam hoje. Ontem falei aqui que tinha caído na esparrela de
dar publicidade à familícia, porém, a decisão do magistrado merece
ser devidamente esmiuçada.
O prazo refere-se ao pedido de esclarecimento sobre a autorização, ou
não, pela defesa do Inelegível para o uso de sua imagem e voz no vídeo de Inteligência
Artificial (IA) que oficializou a candidatura presidencial do filho 01 no
último sábado, durante a convenção nacional do PL.
Se Jair concordasse, poderia voltar a ser acusado de violar as medidas
cautelares da prisão domiciliar e ter de voltar ao regime fechado pelo uso
eleitoral de uma possível deepfake.
Essa técnica de IA permite criar conteúdos falsos
pela manipulação de fotos, vídeos e áudios, através da tecnologia de redes
neurais generativas. Ou seja, são criados modelos de impressionante
realidade, como foi o Avatar do capitão, projetado no evento para atrair os eleitores.
Para Moraes, a eventual concordância do Inelegível com o vídeo representaria uma “nova e grave transgressão” à decisão judicial, a poucos dias depois de outra punição, quando o senador divulgou a carta escrita pelo pai “ao povo brasileiro”, que levou à proibição de contato entre pai e filho por 90 dias (ou até as eleições). Mortal a quem faltam ideias próprias...
Pois ontem a defesa do ex-presidente se antecipou e disse que ele não autorizou o uso de sua imagem.
A situação é trágica para a franquia B. Isso porque como o ex-presidente negou a autorização ao vídeo, o filho e o PL teriam desrespeitado a
ordem judicial ao usar a imagem e a voz do ex-presidente para a manifestação político-eleitoral.
Além de ser campanha antecipada, a conduta poderá ser enquadrada
como deepfake, expressamente proibida pelo TSE.
Em bom português: Jair não volta à Papuda (ao menos por enquanto) por negar sua autorização. Como negou, a Justiça Eleitoral poderá declarar a inelegibilidade do responsável e daqueles que contribuíram para a prática, além de cassar o registro ou o diploma do candidato beneficiado.
Ou seja, a candidatura de Flávio pode ir para o espaço.
Se correr o bicho pega, se ficar, ele come.

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